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sábado, 23 de março de 2013

Estudos para concurso

Estudos para concurso 2

Identidade Pessoal

  1. Axioma Identidade.
  2. Identidade de objetos ao longo do tempo (navio de teseu)
  3. Identidade de um objeto com mente (identidade pessoal)
  4. Casos difíceis: (a) possesão espiritual (mesmo corpo, diferentes mentes), (b) troca de mentes (houve troca ou deixaram de existir), (c) múltiplas personalidade (mesmo corpo, diferentes pessoas/personalidades), (d) transplante cerebral (pessoa antiga x pessoa nova), (e) reencarnação (diferente corpo e diferente mente).
  5. Critério 1: mesmo corpo: A em t1 é a mesma pessoa que B em t2 sse A em t1 é o mesmo organismo físico que B em t2.
  6. Problema: estado vegetativo irreversível
  7. Problemas: casos a, b e c.
  8. Problema: caso d → mudar critério do corpo para critério do cérebro.
  9. Objeção: troca de mente sem troca de cérebro (neuro computer science).
  10. Critério 2: alma: A em t1 é a mesma pessoa que B em t2 sse A em t1 tem a mesma alma que B em t2.
  11. Problemas: a, e.
  12. Objeção (Locke): se a alma perder todas as memórias, crenças, desejos e o próprio corpo, ainda é a mesma pessoa?
  13. Locke (1632-1704): rejeita critério da alma e rejeita critério do corpo. Identidade pessoal é diferente de identidade de objetos comuns. A alma é considerada importante por ser a portadora da consciência (memórias, experiências, crenças, desejos, preferências etc). Assim, não é a alma que dá a identidade, mas os estados de consciência.
  14. Critério 3: sse A em t1 tem a mesma consciência que B em t2.
  15. Problema: especificar quais estados mentais, pois estes mudam continuamente (crenças mudam, personalidade muda etc).
  16. Solução (Locke): conexão entre estados mentais pela memória. (Se lembra de ter sido x, então você é o mesmo que x; se não lembra de ter sido x, então não é o mesmo que x).
  17. Objeção (Thomas Reid): criança-jovem-adulto (b lembra a, c lembra b, mas c não lembra a → identidade não transitiva)
  18. Solução (Baralow): se c se lembra diretamente de b e b de a, então c se lembra indiretamente de a. E lembrança indireta é o que é necessário para a identidade pessoal.
  19. Objeção: sempre haverá casos em que não lembramos de muitas coisas. Isso não significa que não somos as pessoas que não lembramos.
  20. Objeção: estado vegetativo.
  21. Objeção da amnésia: não há lembrança direta ou indireta. → Memória como critério não funciona.
  22. Reflexão: se a memória fosse apagada, mas persistissem traços de personalidade, seria a mesma pessoa? → trocar o critério da memória por critério “suficiente da vida mental preservada”.
  23. Critério 4: sse o suficiente dos estados mentais de A em t1 continua como estados mentais de B em t2.
  24. Objeção: “o suficiente” é vago.
  25. Objeção epistêmica: se a memória do indivíduo é importante para a identidade pessoal, porque as pessoas utilizam o critério do corpo para identificarem umas às outras?
  26. Resposta: porque imaginamos que o mesmo corpo porta a mesma consciência, dado que consciências não mudam de corpos rotineiramente. Se mudassem, não utilizaríamos tal critério.
  27. Hume: unidade da consciência é ilusão (nada dá a identidade pessoal) x Kant: unidade da consciência é parte do suj. transc.
  28. Descartes: identidade na substância mental (Obj. de Locke: atribuição de responsabilidade seria problemática)
  29. Contra Locke: (1) memória como critério é circular, pois pressupõe identidade, (2) não dá conta da prática comum, aonde as pessoas se esquecem das coisas.
  30. Pensar no caso do múltiplo upload.

  1. Fedro (Platão): sobrevivência à morte do corpo [Problema: se x morre e há um y muito parecido com x no além, seria x = y?] (dependeria das condições de persistência)
  2. Problema da evidência (o que nos permite identificar) x Problema da Persistência (o que permite o mesmo persistir)
  3. Evidências: memória e continuidade espaço-temporal [conflito: apagar memória de um e colocar nele a memória de um morto: ressurreição ou perda de memória?]
  4. O que é o eu? Material ou imaterial? Substâncias, aspectos de algo, ou processo/evento?
  5. Lewis: partes temporais de animais | Organismos biológicos: Inwagen | partes espaciais de animais: Parfit | almas imateriais | alma + corpo | coleções de estados mentais (bundle): Hume | nada: Wittgensteine Russell: não há eu. | Relação física bruta: Mackie.
  6. Persistência: o que é necessário e suficiente para um ser passado ou futuro ser alguém existente agora.
  7. Essencialismo pessoal: o que é uma pessoa num tempo é sempre uma pessoa, enquanto existir (pessoa x biological organism) (um organismo biológico não é essencialmente uma pessoa. Somos bio-organismos? Já fomos fetos/embriões?)
  8. Transplante cerebral: resposta define se aceitamos critério do corpo ou da mente.
  9. Objeções ao critério do cérebro (Fissão): transplante de ambos os hemisférios do cérebro para diferentes pessoas. → 2 eus? Se exterminar um dos hemisférios?
  10. Resposta: as duas pessoas já existiam e estavam sobrepostas no mesmo corpo (visão da ocupação múltipla ~ visão das partes temporais das pessoas (tetradimensionalismo) para resolver problema da fissão).
  11. Outras respostas: (a) você deixou de existir e agora existem duas pessoas diferentes de você, (b) fissão é morte (non-branching view).
  12. Problemas para b: morreríamos se 1 hemisfério fosse transplantado e o outro estivesse no lugar, mas sobreviveríamos se o hemisfério removido fosse destruído); além disso, ainda que copiássemos a mente de uma pessoa para outro recipiente sem fazer à mente da pessoa copiada, estaríamos matando a pessoa.
  13. Problema dos pensadores demais: fazem cópia de você, você apaga e acorda junto com a cópia. Você não tem como saber se você é ou não a cópia. [problema para o critério da memória] → solução: preferir continuidade física do que psicológica.
  14. Solução de Shoemaker: seres humanos não são conscientes; há apenas comportamento funcional
  15. Animalismo: Somos organismos (Ayer: body criterion) → não implica que todos os organismos são pessoas e nem que todos os organismos têm de ser orgânicos. Brute physical continuity (não existem pessoas imateriais).
  16. Objeção: caso do transplante.
  17. Resposta: o animalismo não responde a esse caso, mas dá conta das nossas intuições. Por exemplo, se alguém morre ou sobrevive, isso implica que um organismo humano morreu ou sobreviveu. Além disso, visão psicológica não pode dizer “eu fui um feto”, porque não há continuidade psicológica.
  18. Problemas externos para visões psicológica e animalista:
  19. Se organismos não pensam → é necessário uma abordagem das propriedades mentais.
  20. Se organismos não podem pensar → explicar como saber que não somos ele (indexicais).
  21. Temporal parts view ~ não há resposta para o problema da persistência (partes são relacionadas pela continuidade psicológica: Lewis). Mas a visão das partes temporais aceita muitas teorias distintas.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Philosophy Ideas Database

Uma ótima ideia de Peter Gibson e Marting Berry, o PhilosophyIdeas é uma ferramenta impressionante no que tange a pesquisa de ideias filosóficas. Com a aparência de uma simples ferramenta de busca em um site que não privilegia muito a aparência, o PhilosophyIdeas lhe dá um rápido e informativo resumo dos principais textos daquilo que você pesquisa. Vejamos um exemplo:

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O paper de Gettier: Aniversário de 50 anos

A universidade de edimburgo está promovendo um evento comemorativo aos 50 anos do paper "Is justified true belief knowledge", o artigo que mudou o rumo da epistemologia contemporânea escrito por Gettier em 1963. Você acessa a publicação do evento no PhilPapers aqui. Segue descrição:

The Gettier Problem at 50

When: 20 – 21 Jun 2013
Start time: 09:00
Where: Edinburgh, EH8 9AD
Type of event: Conference

Speakers:

quinta-feira, 5 de abril de 2012

CURSO DE EXTENSÃO GRATUITO: FILOSOFIA POLÍTICA CONTEMPORÂNEA - UFU



Público alvo:
1.Interessados em geral.
2.Militantes e ativistas políticos de partidos e organizações não-governamentais.
3.Servidores Públicos em geral e professores em especial.
Estrutura: 8 encontros (2 meses), aos sábados a tarde, das 16 às
18:00, com os seguintes tópicos, no Auditório 5O
Conteúdo e Calendário:
1 - Utilitarismo (Alcino E. Bonella - UFU) - 05/05
2 – Liberalismo-Igualitário (Alcino E. Bonella - UFU) - 12/05
3 - Libertarianismo 19/05 (Luis Felipe Sahd – UFC) – 19/05
4 - Marxismo (Ana Said – UFU) – 26/05
5 - Comunitarismo (Sertório Amorin e Silva Neto – UFU) – 02/06
6 - Feminismo (Georgia Cristina Amitrano - UFU) – 16/06
7 - Multiculturalismo (Bento Itamar Borges - UFU) – 23/06
8 - Cidadania democrática (José Benedito de Almeida - UFU) - 30/06



Concurso para contratação de Professor Adjunto - UFC


A Universidade Federal do Ceará abre inscrições para concurso para Magistério Superior regime de trabalho 40/DE. Sáo duas vagas:
Ensino de Filosofia - Doutorado em Filosofia ou em Educação
Lógica e Filosofia Analítica - Doutorado em Filosofia

Inscrições: 02 de abril a 02 de maio de 2012

http://www.srh.ufc.br/images/stories/arquivos/editais/2012/efetivo/edital126_2012.pdf

quarta-feira, 4 de abril de 2012

I SIMPÓSIO NACIONAL DE ÉTICA, POLÍTICA E DIREITO - PUCPR


As inscrições para apresentação de trabalhos estarão abertas de 05 de abril a 15 de junho de 2012 e serão feitas somente via preenchimento de formulário (ficha de inscrição) on line.
Estudantes de graduação poderão enviar resumos, desde que sejam participantes de projetos (PIBIC, PIC, ENSINO, EXTENSÃO), com a inclusão do nome do professor-orientador, acrescentando a letra G após o seu nome para indicar que é aluno de Graduação, bem como a sigla da instituição de origem.
Estudantes de Pós-graduação devem colocar PG e sigla da instituição. O nome do orientador pode ser acrescentado, com esta observação entre parênteses.

http://simposionacionalpucpr.blogspot.com.br/

Animal Cognition: Behavioral Studies and Theory Formation


Workshop and Call of Posters

Workshop: The workshop aims to discuss the recent developments in the growing field of investigating the cognitive abilities of animals. We intend to structure the presentations and discussions by focusing on five interconnected key questions: 1. What are the main principles to develop an adequate methodology to investigate animal cognition and how should we interpret the observations of animal behavior? 2. How can we integrate neuroscientific data on brain evolution with recent findings of cognition in corvids and primates? How do we have to modify the theories of cognitive evolution given these data? Does this influence our view of an anthropological borderline between humans and animals? 3. To what extent can we find symbolic understanding in animals? Since understanding symbolic and a recursive structure is one of the recent candidates for an anthropological borderline, one question for discussion is whether this is still marking a clear species difference. 4. The general analysis of animal behavior involves a debate between cognitivists and mere associationists: can we explain all abilities of animals by associative mechanisms while we have to explain the same ability in children by cognitive mechanisms? Does mere association even exist or is it cognition all the way down that we find in humans and animals?
Call of Posters: We invited poster presentation as part of our symposium and will financially support the presenters. Posters should be submitted in a completed format or to be described by an abstract of 700 words.

link para acesso: http://www.ruhr-uni-bochum.de/philosophy/animalcognition/

International Multidisciplinary Colloquium

L’objectif de ce colloque est d’opérer comme plateforme d’échange entre linguistes, philosophes et psychologues expérimentaux, travaillant sur les différents aspects de la distinction massif/comptable. Cette approche résolument interdisciplinaire est en effet nécessaire à l’appréhension de nouvelles problématiques qui émergent présentement dans ce domaine. Cette conférence multidisciplinaire aspire en particulier à faire avancer le débat scientifique, ainsi qu’en faire évoluer la méthodologie.


link para acesso: http://mass-count.sciencesconf.org/

quarta-feira, 14 de março de 2012

REVISTA ADARGUMENTADUM


Ad Argumentandum é uma revista eletrônica de filosofia que possui como objetivo a publicação de artigos acadêmicos em qualquer área da filosofia, levando em conta a qualidade, a clareza e o rigor dos mesmos. A motivação central para a criação de mais uma revista de filosofia é que a maior parte das revistas brasileiras adotam critérios deficientes para a seleção de artigos a serem publicados. Aceitamos contribuições de artigos ou resenhas inéditos sobre qualquer área da filosofia, escritos em língua portuguesa.


The Oxford UehiroThe Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics Centre for Practical Ethics


The goal of the Centre is to encourage and support debate and deeper rational reflection on practical ethics. The Centre as a whole will not promote a particular philosophy, approach, solution or point of view, though its individual members may give an argument to a substantive conclusion as a basis for dialogue, engagement and reflection. It is the method of rational analytic practical ethics that we aim to advance. The vision is Socratic, not missionary. We seek to be inclusive, encouraging debate between different approaches to ethics, aiming to resolve disagreements and identifying key areas of consensus.

The Turing Test


Each year for the past two decades, the artificial-intelligence community has convened for the field’s most anticipated and controversial event—a meeting to confer the Loebner Prize on the winner of a competition called the Turing Test. The test is named for the British mathematician Alan Turing, one of the founders of computer science, who in 1950 attempted to answer one of the field’s earliest questions: can machines think? That is, would it ever be possible to construct a computer so sophisticated that it could actually be said to be thinking, to be intelligent, to have a mind? And if indeed there were, someday, such a machine: how would we know?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um debate sobre a natureza da filosofia experimental e da filosofia analítica

Há alguma diferença entre a Filosofia Experimental e a Filosofia chamada “de Cadeirão” (filosofia analítica do século XX)? Se há, qual é a principal diferença? Se não há, qual é o erro dos filósofos experimentais ao defenderem que a x-phi é substancialmente diferente da filosofia analítica do séc. XX?

sábado, 23 de abril de 2011

Deus: argumentos da impossibilidade e da incompatibilidade

Os argumentos da impossibilidade e da incompatibilidade visam mostrar que é impossível haver um ser com as propriedades do Deus teísta, concebido como existente necessário, onisciente, onipotente, moralmente perfeito, criador livre, imutável e transcendente. Esses argumentos tentam mostrar que um desses atributos ou que combinações desses atributos – ou desses atributos com outras teses teístas – são incoerentes ou inconsistentes entre si. A força dos argumentos da impossibilidade e da incompatibilidade para os ateístas é que eles diminuem os atributos de Deus, fazendo com que Deus, se existir, torne-se menos poderoso e, talvez, menos digno de honra.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A crença apropriadamente básica e a crença básico-comprovada de Plantinga

Alvin Plantinga (1981) pensa de modo semelhante a William James sobre a aceitar uma crença sem indícios conclusivos, mas por outros motivos; ele diz que é correto, racional, razoável e adequado acreditar em Deus sem indícios e sem argumentos: quem aceita a crença na existência de Deus sem indícios ainda está em seu direito intelectual de acreditar. Mas para Plantinga “indícios” significa algo bem específico: significa “uma crença que sustenta outra crença”. Ele pensa que “nem todas as nossas crenças racionalmente defendidas podem ser racionais apenas em virtude de se sustentarem em outras crenças que defendemos e que são indícios das primeiras.” O processo de tornar racional uma crença por meio de outra crença racional tem de chegar ao fim. “Tem de haver crenças cuja adoção é racional sem as basearmos em outras crenças que sejam indícios a favor das primeiras” (Murcho, 2009, p. 109). Crenças essas, que são chamadas por Plantinga de “crenças básicas”. Assim, uma crença básica é aquela que não se fundamenta em outra crença, ou seja, é uma crença sem indícios.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O indiciarismo probabilístico de Swinburne

Swinburne (1998) é um teísta e, contrariamente a Plantinga, que também é um teísta, ele é um indiciarista: ele acredita que é irracional aceitar o teísmo sem indícios suficientes. Contudo, ele acredita que temos indícios suficientes para aceitar o teísmo. Ele pensa que uma boa teoria teísta não poderia rivalizar com as teses científicas, mas deve ser compatível com elas.A ciência pode explicar muito da realidade, mas não tudo – diz ele. Ela não consegue explicar por que há algo e não nada, ou por que há estas coisas/leis e não outras completamente diferentes. As ciências apenas explicam as coisas ou as leis por meio de outras coisas ou outras leis mais gerais, mas ela não pode nos dizer por que, por exemplo, as constantes fundamentais são as que são. A hipótese teísta, diz Swinburne, pode.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A vontade de acreditar de James

William James (1897) pensa de um modo muito peculiar. Ele concorda com Clifford (1877) em as pessoas deverem ser ajuizadas de acordo com as ações que praticam e de acordo com as crenças que adotam, e com sua regra 1 (ou seja, “se alguém sabe de indícios contra uma hipótese e não sabe de indícios a favor, então se ela aceita a hipótese, comete uma imoralidade”). James discorda de Clifford justamente na regra 2 (“se não há indícios contra ou a favor da crença, é imoral aceitá-la ou rejeitá-la”), porque pensa que, quando uma hipótese é indecidível e apresenta uma opção genuína, não é incorreto deixar a nossa natureza passional decidir (podemos acreditar no que nos apetece). E a hipótese religiosa é indecidível – pois temos indícios para crer tanto no teísmo, quanto no ateísmo – e nos apresenta uma opção genuína. Uma opção genuínas é uma hipótese que é viva, momentosa e forçosa. Uma hipótese é viva (diferente de morta) quando ela é atrativa por aparentar ser uma possibilidade real. Uma hipótese é momentosa (diferente de trivial) quando podemos não vir a ter outra possibilidade de decidir entre hipóteses, quando não podemos facilmente reverter a escolha, ou quando há consequências importantes advindas da escolha. E uma hipótese é forçosa (diferente de evitável) quando não decidir entre hipóteses tem as mesmas consequências de se decidir por uma delas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A postura agnóstica de Clifford

Uma resposta para se é racional acreditar em algo sem indícios suficientes advém do pensamento de W. K. Clifford (1877). Ele pensa que não temos o direito de acreditar em algo sem indícios adequados, pois não há justificação para adotar uma crença sem indícios suficientes. E, ao acreditarmos sem indícios, prejudicamos o desenvolvimento social por enfraquecer o hábito de investigar e testar as nossas crenças. Isso prepara a sociedade para as pessoas serem rodeadas por mentiras; o que, em última instância, as levaria à selvageria. Assim, se não temos bons indícios para o teísmo e nem para o ateísmo, devemos ser agnósticos.

O Problema do Mal

O problema do mal é o problema que se coloca ao teísta de explicar como é possível haver o Deus teísta frente à quantidade e/ou qualidade dos males existentes no mundo. Os argumentos ateístas a partir do problema do mal tomam duas formas: (I) a forma lógica: a existência de Deus é incompatível com a existência de mal; e (II) a forma indiciarista: a quantidade de mal que há no mundo dá sustentação racional para a crença de que o Deus teísta não existe. Mais especificamente, a forma lógica nos diz sobre as proposições “Deus existe e é onipotente, onisciente e sumamente bom” e “o mal existe”, que elas são inconsistentes entre si. Assim, se uma é verdadeira, a outra terá de ser falsa. Qualquer uma dessas proposições que for falsa causará problemas para o teísta: se for a primeira, ou Deus não existe, ou não tem alguma de suas qualidades fundamentais; se for a segunda, o teísta terá que explicar como pode pregar que haja ações más, se não existe o mal. Como as proposições “Deus existe e é onipotente, onisciente e sumamente bom” e “o mal existe” não são explicitamente inconsistentes entre si, o ateísta terá de adicionar alguma premissa necessariamente verdadeira ao grupo de premissas, e daí derivar um par de afirmações explicitamente contraditórias.

domingo, 17 de abril de 2011

Os argumentos do desígnio


Os argumentos do desígnio partem da complexidade intrincada das relações entre as partes do universo, para concluir que seja o que for que produziu o universo, tem de provavelmente ser um ser inteligente. Eles dividem-se em dois tipos, de acordo com o tipo de objetos que exemplifica essa complexidade intrincada de relações: (I) no argumento do desígnio antigo, são os sistemas teleológicos naturais e, (II) no argumento novo, são as constantes fundamentais. Um sistema teleológico é um sistema composto de partes, tais que estas se encontram dispostas de tal modo que funcionam conjuntamente, sob condições adequadas, para servir a uma finalidade. E as constantes fundamentais são as constantes das leis da natureza que fundamentam o fato de todas as coisas existirem da forma que existem e não de outras.

sábado, 16 de abril de 2011

Os argumentos morais da existência de Deus


Algumas pessoas têm a impressão de que Deus se relaciona com a Ética de um modo bem profundo, como se ele fosse, de alguma forma, necessário para a nossa moralidade. Em Ética e Filosofia da Religião, a relação entre Deus e a moralidade costuma ser defendida de três formas: (I) Deus tem um papel metafísico na moralidade, ou seja, a verdade dos juízos morais depende da vontade e das atitudes de Deus. (II) Deus tem um papel epistêmico na moralidade, ou seja, adquirimos o conhecimento sobre quais são os juízos morais verdadeiros por meio de Deus. (III) Deus tem um papel motivacional na moralidade, ou seja, Deus fornece uma razão para sermos morais.