quinta-feira, 13 de junho de 2019

Justiça e Força em Trasímaco



Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes

RESUMO Em nosso artigo, pretendemos verificar as teses de Trasímaco sobre a justiça e se estas são consistentes entre si. Para isso, há de se observar a relação da justiça com o governo e a força (krátos) que a determina. O intuito é reavivar as discussões hodiernas sobre as teses de Trasímaco dentro da filosofia platônica, assim como demonstrar sua importância para o âmbito da filosofia política.

Palavras-chave: República de Platão. Trasímaco. Sócrates. Justiça. Injustiça. Téchne.

Para ler o artigo integral na Revista Kriterion, aperte aqui.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Em defesa da Associação Brasileira de Filosofia



Em 31 de maio de 2019, a professora Carolina Araújo da UFRJ lançou uma proposta ousada e muito pertinente para a filosofia no Brasil: a criação de uma Associação Brasileira de Filosofia. A sua proposta pode ser lida na íntegra no fórum de debates da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF)*. O intuito desta coluna é reforçar a proposta da criação desta associação que uniria os filósofos de todo o país, dando-nos uma unidade para lutar pelo o nosso ofício.

domingo, 5 de maio de 2019

Cinema e Técnica




Gostaria de propor uma reflexão sobre o cinema e a técnica. Desde o consagrado ensaio de Walter Benjamin “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, podemos pensar o papel do cinema junto à cultura de massas. Nesse ensaio, Benjamin demonstra de que maneira o cinema é capaz de integrar as massas, alienando-as da realidade em que vivem e condicionando o seu modo de vida. Será através da política (mais especificamente o fascismo) que o cinema será utilizado manipular e ordenar as massas. Benjamin fala a partir de uma análise do capitalismo e suas consequências para a cultura. O processo de massificação feito pelo cinema é análogo ao processo de alienação dos trabalhadores nas indústrias. Como nos diz Benjamin:

domingo, 31 de março de 2019

Ditadura nunca mais




Ditadura nunca mais



“A independência individual é a primeira das necessidades modernas. Consequentemente, não se deve nunca pedir seu sacrifício para estabelecer a liberdade política” (Benjamin Constant. “Da liberdade entre antigos e modernos”)

Milhares de anos se passaram e o outro continua a ser pauta para discussão. Por que permitimos que a tirania (um clássico problema da filosofia política desde os tempos do velho Platão) resista como forma de governo em pleno século XXI? Legitimamos esse tipo de governo ao determinarmos que alguns não são tão iguais a nós e merecem ser tratados diferentes, como bárbaros. A palavra da moda agora é dizer que o outro é um ‘terrorista’, um “marginal”, pois assim qualquer atitude contra ele é permitida. Tratamos nossos semelhantes com desigualdade porque eles pensam e agem de maneira diferente da nossa. Não seria a hora de encararmos a diferença como algo bom para a natureza do homem e a diversidade de pensamento como uma forma de melhorarmos e engrandecermos nossa participação nesse mundo que convivemos? Por que conservar um moralismo enferrujado ao invés de ampliar as possibilidades de compartilhar a vida com o outro?

sábado, 2 de março de 2019

Tempos de Borboleta I



Tempos de Borboleta I


"E tudo o que se sente directamente traz palavras suas"
- Alberto Caeiro

Quando paramos para refletir sobre o nosso tempo, os “tempos modernos”, nos perguntamos se ele pode vir a ser melhor, se há possibilidade de transformação e acontecimentos novos. Se um dia o homem que se aprisionou na máquina virá a sair dessa condição. Esse tempo por vir é o que chamarei de “tempos de borboleta”. Para explicar melhor em que consiste os tempos de borboleta, cito uma passagem de Ciro Marcondes Filho em sua obra “O rosto e a máquina”:

Assim, o ‘isso’ pode tornar-se um ‘tu’. Ele é como uma crisálida, diz Buber, de onde por surgir uma ‘borboleta’. Em termos de comunicação, quando encontramos alguém e o saudamos com formas desgastadas como “Olá!”, “Tudo bem?”, estaremos nos relacionando com essa pessoa da maneira eu-isso. Em nossa terminologia, não estaremos nos comunicando, apenas trocando sinais.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O Fantasma do Marxismo




O fantasma do marxismo

O marxismo é como um fantasma.
É muito difícil capturá-lo,
ou melhor, é impossível contê-lo.
(Pinochet)


O que é propriamente o marxismo? Muito se tem falado sobre isso nos últimos tempos, mas sem propriedade adequada, o que leva a certos equívocos. Para evitar isso, resolvemos escrever essa coluna dando alguns esclarecimentos mínimos sobre o assunto para que pelos menos se tenha maior cuidado ao falar de algo que se desconhece ou, pelo menos, não se conhece tão bem assim.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Mitologias V




Mitologias V

Acrescentamos abaixo mais um fragmento da obra “Mitologias” de Roland Barthes sobre os mitos de direita:

Estatisticamente, o mito se localiza na direita. É aí que ele é essencial: bem-alimentado, lustroso, expansivo, falador, inventa-se continuamente. Apodera-se de tudo: justiças, morais, estéticas, diplomacias, artes domésticas, Literatura, espetáculos. A sua expansão tem a exata medida da omissão do nome burguês. A burguesia pretende conservar o ser sem o parecer: é, portanto, a própria negatividade do parecer burguês, infinita como toda negatividade, que solicita infinitamente o mito. O oprimido não é coisa alguma; possui apenas uma fala, a de sua emancipação, o opressor é tudo, a sua fala é rica, multiforme, maleável, dispõe de todos os graus possíveis de dignidade: tem a posse exclusiva da metalinguagem. O oprimido faz o mundo e possui apenas uma linguagem ativa, transitiva (política). O opressor conserva o mundo, a sua fala é completa, intransitiva, gestual, teatral: é o Mito; a linguagem do oprimido tem como objetivo a transformação e a linguagem do opressor, a eternização.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Mitologias IV




Mitologias IV

Coloco o quarto fragmento da obra “Mitologias” de Roland Barthes sobre os mitos de esquerda:

Existe, portanto, uma linguagem que não é mítica, que é a linguagem do homem produtor: sempre que o homem fala para transformar o real, e não mais para conservá-lo em imagem, sempre que ele associa a sua linguagem à produção das coisas, a metalinguagem é reenviada a uma linguagem-objeto, e o mito torna-se impossível. Eis a razão por que a linguagem propriamente revolucionária não pode ser uma linguagem mítica. A revolução se define como um ato catártico, destinado a revelar a carga política do mundo: ela faz o mundo, e toda a sua linguagem é absorvida funcionalmente neste “fazer”. É por produzir uma fala plenamente, isto é, inicialmente e finalmente política, e não, como o mito, uma fala incialmente política e finalmente natural, que a revolução exclui o mito. Do mesmo modo que a deserção do nome burguês define simultaneamente a ideologia burguesa e o mito, assim a denominação revolucionária identifica a revolução com a ausência do mito: a burguesia se mascara como burguesia, esse mascarar-se produz o mito; a revolução se ostenta como revolução e, dessa forma, suprime o mito.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Black Mirror - Feixe Temporal




O filme recente da Netflix “Black Mirror: Bandersnatch” lançado em dezembro de 2018 traz uma interatividade para os usuários da plataforma. Isso significa dizer que em determinados momentos do filme os usuários são convidados a “escolher” entre duas alternativas o que irá fazer o personagem principal. Tal interatividade permite que o filme tenha finais diferentes dependendo da escolha que se faz. O filme trata de um jovem programador que adapta um romance de fantasia ao videogame durante os anos de 1980. Através de escolhas sempre binárias, o filme caminha para novos rumos.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Mitologias III



Mitologias III

Acrescentamos abaixo mais um fragmento da obra “Mitologias” de Roland Barthes:

E é aqui que voltamos a encontrar o mito. A semiologia nos ensinou que a função do mito é transformar uma intenção histórica em natureza, uma eventualidade em eternidade. Ora, este processo é o próprio processo da ideologia burguesa. Se a nossa sociedade é objetivamente o campo privilegiado das significações míticas, é porque o mito é formalmente o instrumento mais apropriado para a inversão ideológica que a define: a todos os níveis da comunicação humana, o mito realiza a passagem da antiphysis para a pseudophysis.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Mitologias II



Mitologias II

Continuando a análise da obra “Mitologias” de Roland Barthes, colocamos mais um trecho:

Se me contento aqui com um esboço sincrônico dos mitos contemporâneos, é por uma razão objetiva: a nossa sociedade é o campo privilegiado das significações míticas. É preciso agora dizer por quê.
Quaisquer que sejam os acidentes, os compromissos, as concessões e as aventuras políticas e sejam quais forem as modificações técnicas, econômicas ou mesmo sociais que a história nos traga, a nossa sociedade ainda é uma sociedade burguesa.

domingo, 30 de dezembro de 2018

A função do mito em Platão


A função do mito em Platão

O trabalho que nos propomos sobre o estudo do mito na obra de Platão tem como base o artigo de Ludwig Edelstein intitulado “The Function of the Myth in Plato’s Philosophy”. Em seu trabalho, Edelstein nos apresenta, de forma geral, o porquê de Platão se utilizar do mito e a função que este desempenha em sua filosofia. O autor contribui assim para o desenvolvimento do pensamento sobre o assunto e proporciona uma alavanca para os estudos posteriores sobre o mito em Platão. Por fim contribuiremos com uma conclusão crítica sobre o assunto.

Para ler o artigo completo, aqui.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

O Problema da Demarcação: Uma Introdução



O Problema da Demarcação na Filosofia de Karl Popper
Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes

Resumo: O intuito deste artigo e é estudar o problema da demarcação na filosofia de  Karl  Popper  e  suas  consequências  para  a  epistemologia  e  para  o  fazer científico.  O  problema  da   demarcação  consiste  em  distinguir  a  ciência  da pseudociência.  Como  é  possível  reconhecer  uma  teoria  realmente  científica  e fazer uma distinção de uma teoria não científica? Em outras palavras, o problema envolve  a  justificação  daquilo  que  se  constitui  como  ciência.  O  problema  da demarcação consiste em verificar o próprio valor da ciência e suas implicações no mundo.

Para ler o artigo na íntegra, aperte aqui.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Mitologias I




Mitologias I

Inicio uma série de comentários sobre trechos da obra “Mitologias” de Roland Barthes.

Na realidade, aquilo que permite ao leitor consumir o mito inocentemente é o fato de ele não ver no mito um sistema semiológico, mas sim um sistema indutivo: onde existe apenas uma equivalência, ele vê uma espécie de processo causal: o significante e o significado mantêm, para ele, relações naturais. Pode exprimir-se esta confusão de um outro modo: todo o sistema semiológico é um sistema de valores; ora, o consumidor do mito considera a significação como um sistema de fatos: o mito é lido como um sistema factual, quando é apenas um sistema semiológico. (2003, p. 223)

domingo, 16 de dezembro de 2018

Héracles: força, amizade e humanidade


Héracles: força, amizade e humanidade


 Falaremos hoje da tragédia "Héracles", escrita pelo poeta grego Eurípides (c. 480-406 a.C.). Héracles, mais conhecido pelo seu nome latino Hércules, é o herói filho do deus Zeus com a mortal Alcmena. O sentido do nome Héracles é a reunião das palavras "Hera", a deusa esposa de Zeus que perseguia incansavelmente o herói, e Cléos, que significa glória, formando, em tradução livre, a "glória de Hera". Isso se deve a imposição de Hera a uma série de trabalhos a Héracles (os famosos 12 trabalho) nos quais a sua fama ia aumentando. Em seu Héracles, Eurípides subverte o enredo mitológico, pois antepõe os trabalhos ao assassinato de sua família. Quando a história se inicia, o herói encontra-se no Hades para realizar seu último trabalho (capturar Cérbero, o cão de três cabeças que guardava a entrada do submundo) e sua família está ameaçada de morte pelo tirano Lico, que na ausência de Héracles assassinara Creon, rei de Tebas e pai de Mégara (esposa de Héracles), e usurpara o trono, fiando-se na probabilidade quase nula de o herói escapar dos ínferos com vida. Mas, para azar de Lico, Héracles retorna e acaba com seu breve reinado. É nesse momento, exatamente no meio da peça, que há uma reviravolta nos acontecimentos e Héracles é acometido pela loucura divina que o faz matar sua esposa e filhos. Ato feito, ele acaba adormecido pela deusa Atena para evitar que ele continue a matança pela cidade.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Sobre o Homem Absurdo


Sobre o homem absurdo

Continuando o assunto da coluna passada sobre “O Mito de Sísifo” de Albert Camus, retomamos a problemática do homem absurdo. A obra abre com uma questão de suma importância, uma questão que, segundo Camus, seria a primeira de todas as questões filosóficas: devemos optar pela vida? Ou, trazendo para o pessoal, pois se trata de uma questão em que cada um deve se esforçar para responder: devo eu me suicidar ou optar pela vida? E por que seria essa a questão fundamental? Porque se não vale a pena viver, então nada mais deve ser vivido, nenhuma questão, experiência ou pensamento.  Desse modo, responder a questão sobre a própria vida é a primeira coisa a ser feito, já que todo o resto decorre disso.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Sísifo ou o absurdo do amanhã



Sísifo ou o absurdo do amanhã
Em nossa primeira coluna neste jornal (30/07/2017), e que abriu a categoria “Cidade Filosófica”, escrevemos sobre a obra “O Mito de Sísifo” do argelino Albert Camus. Gostaríamos hoje de retomar a temática do absurdo presente na obra. Segundo Camus, o absurdo não pode ser uma filosofia, mas é um sentimento. É quando a razão se depara com seus limites e o homem se encontra divorciado do mundo: não se pode compreendê-lo. Disso surge o homem absurdo, isto é, o resultado do sentimento do absurdo no homem e sua incapacidade para racionalizar o mundo. Nas palavras de Camus: “o homem absurdo, ao contrário, não processa esse nivelamento. Reconhece a luta, não despreza de modo algum a razão e admite o irracional. Desse modo, ele encobre do olhar todos os dados da experiência e não está nada disposto a saltar antes de saber. Ele sabe, somente, que nessa consciência atenta não há mais lugar para a esperança”.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Amanhã há de ser outro dia...


Amanhã há de ser outro dia...


Na “República” de Platão, Sócrates irá demonstrar o nascimento da tirania depois de um longo processo de degradação da constituição. Partindo do modelo bom e justo, que pode ser tanto a aristocracia (mais de um governante) ou a realeza (um único governante), teremos, com sua consequente corrupção, a timocracia, a oligarquia, a democracia, para, por fim, originar-se a tirania. Apesar de a tirania ser colocada como a pior forma de governo por Sócrates, ela é vista pela maioria das pessoas como sendo a melhor e a mais feliz. Isto se deve a uma noção das pessoas da natureza humana como sendo voltada para a pleonexía, isto é, a vontade de ter sempre mais, visando, dessa forma, o seu próprio interesse em detrimento dos demais. Isso leva a uma concepção da justiça como sendo penosa e não agradável, o que faz com que se tome a vida do injusto como sendo mais feliz do que a do justo. Tal tipo de pensamento é apresentado no Livro II pelo desafio de Gláucon a Sócrates, cabendo a ele responder se a justiça é por si mesma um bem e se é de qualquer maneira melhor do que a injustiça, sendo agradável para aquele que for justo. Os livros VIII e IX são a resposta de Sócrates a este desafio, analisando a vida daquele que é pelas massas considerado o mais completamente injusto e feliz dos homens: o tirano.

domingo, 4 de novembro de 2018

As Aves




As Aves

A dança-teatro “À Travers Ça” do Núcleo Contemporâneo das Artes (NuCA) e dirigida por Edson Fernandes tem como concepção a dança como processo de fundação. A cena é dividida por seis atores dançarinos que se utilizam, principalmente, do corpo para expressar ao público o sentimento da peça. E que sentimento seria esse? Eles são pássaros e, como pássaros, estão a construir um ninho para eles. Há destaque para uma das atrizes que representa a Natureza, aquela que vai marcando o terreno com suas folhas e galhos para que os pássaros possam atravessar. Os demais agem como pássaros que estão fundando um ninho-peça-teatro. Para isso se utilizam da dança como o fundamento do movimento, do agir, da vida. Há toda uma simbologia em nascer pássaro, em demarcar o terreno, em marcar com o giz o “buraco” em que irão construir seu ninho-cidade.

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