terça-feira, 7 de abril de 2020

A Caverna de Platão: Dualismo Reinventado


A Caverna de Platão: Dualismo Reinventado

A presente crise pelo qual o mundo passa devido à epidemia do vírus covid-19, trouxe um recolhimento da maioria das pessoas aos seus lares. A recomendação é que se exerça o confinamento e o isolamento social como melhor maneira de prevenir a disseminação do vírus. Desse modo, as pessoas devem ficar em seus lares de origem e sair o mínimo possível de casa. O vírus ganhou seu nome científico de SARS-CoV-2 (Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2) e tem um alto nível de contágio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que a doença respiratória provocada pela infecção do novo coronavírus deverá ser chamada de Covid-19. O nome da doença resulta das palavras “corona”, “vírus” e “doença” com indicação do ano em que surgiu (2019).
O confinamento exigido das pessoas, fez com que o processo de virtualização se intensificasse ainda mais, pois uma vez que as pessoas não poderiam mais se encontrar fisicamente, passaram a conversar ainda mais pelas redes sociais. Somado a isso, houve um aumento do número de pessoas trabalhando em casa, assim como cursos de Ensino a Distância (EaD). Isso me fez refletir ainda mais sobre o significado desse distanciamento social e a intensificação das relações virtuais. Seria um novo tipo de individualismo ou apenas um partilhamento virtual? Acabei me tornando ainda mais realista do que idealista. O mundo está lá fora, independente de nós. E vai continuar a estar, mesmo que não voltemos para ele. Acho que a peste nos trouxe uma espécie de novo dualismo metafísico, que também pode ser chamado de dualismo contemporâneo. Mas o que seria o dualismo?

terça-feira, 31 de março de 2020

Revista IF: chamada para artigos




O periódico Investigação Filosófica (ISSN 2179-6742) faz a sua chamada para a publicação de textos com a temática sobre "Coronavírus (covid-19): perspectivas filosóficas". Nisso, se propõe a publicar artigos que façam uma reflexão filosófica sobre a crise causada pelo vírus. Devido à amplitude do tema, o periódico também aceitará neste número artigos que estabeleçam transdisciplinaridade entre filosofia e outras áreas de estudo como saúde, cultura, economia, política, antropologia e educação.
O prazo final para o envio dos manuscritos é o dia 31 de maio de 2020 e, caso aprovados, serão publicados no final de julho. Todos os textos são avaliados anonimamente por membros do corpo editorial, por membros do conselho consultivo ou por algum parecerista externo escolhido por tais membros. Pedimos atenção às normas para a publicação de artigos.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Sobre o fim do mundo



Sobre o fim do mundo
Giorgio Agamben
O tema do fim do mundo apareceu várias vezes na história do cristianismo e os profetas apareceram o tempo todo anunciando o último dia como o próximo. É singular que hoje essa função escatológica, que a igreja abandonou, tenha sido assumida por cientistas, que se apresentam cada vez mais como profetas, que preveem e descrevem com absoluta certeza as catástrofes climáticas que levarão ao fim da vida na Terra. Singular, mas não surpreendente, se considerarmos que na modernidade a ciência substituiu a fé e assumiu uma função estritamente religiosa - é, de fato, em todos os sentidos, a religião do nosso tempo, em que os homens acreditam (ou, pelo menos, acredita que eles acreditam).

terça-feira, 10 de março de 2020

Uma ideologia de centro: réplica



Uma ideologia de centro: réplica

Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes

[...] a ideologia do desenvolvimento tem necessariamente
de ser um fenômeno de massas.
[...] o processo de desenvolvimento é função da
consciência das massas.
[...] a ideologia do desenvolvimento tem de proceder
da consciência das massas.
(Álvaro Vieira Pinto. Consciência e Realidade Nacional)

Em artigo de 3 de fevereiro de 2020, no blog Refutações, o professor Rodrigo Cid expôs o que ele chamou de ideologia de centro. Gostaria de levantar alguns pontos relevantes da proposta e apresentar uma contraproposta com o intuito de abrir ao diálogo o que foi primeiramente proposto. O método escolhido foi essa forma quase epistolar. Eu poderia ter respondido apenas no site do blog referente, mas achei que uma resposta completa seria mais elegante e respeitosa com o trabalho do professor.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Uma ideologia de centro (Refutações) [Rodrigo Cid]

Prezados leitores, vivemos em um momento complicado e polarizado politicamente. Parece que só seria possível sairmos dessa polarização, ao abandonarmos nossos ideais radicais de direita ou de esquerda e aceitássemos uma posição de centro. Mas o centro brasileiro não é realmente, atualmente, uma posição política que tenha uma ideologia de centro. Provavelmente, nosso centro não tem ideologia alguma, a não ser a ideologia de satisfazer os seus próprios interesses. Obviamente, essa ideologia não nos ajuda a sair do impasse da polarização. Entretanto tenho uma ideologia que gostaria de dividir com vocês, que promete nos tirar da polarização, ao valorizar tanto ideais de direita, libertários, quanto ideais de esquerda, igualitários.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”: De Dostoiévski ao Jesus Polýtropos da Estação Primeira de Mangueira, um convite à reflexão

[http://www.mangueira.com.br/logo. Acesso em 16 de fevereiro de 2020]

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8, 32)
De Dostoiévski ao Jesus Polýtropos da Estação Primeira de Mangueira, um convite à reflexão

(Maria Elizabeth Bueno de Godoy[i]; Alessandro Cardoso[ii])

            Em análoga citação à passagem do Quarto Evangelho, ou o livro de João, a Estação Primeira de Mangueira, tradicional escola de samba carioca, traz para seu desfile da noite do próximo domingo, 23 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, o provocativo enredo “A verdade vos fará livre”. Provocativo, diríamos, não pelo conteúdo per se, que traz um Jesus humanizado, redivivo e ressignificado em sua anunciada volta[iii], em nossas tão humanas facetas, tons e dores. Mas, sim, intrigante, por renovar reflexões clássicas da literatura, história e filosofia em tempos presentes (anacrônicos?) de semelhante intolerância. Sim. É preciso reconhecermos os tempos de recrudescimento, e, neste esforço reflexivo, possibilitar, capacitar, ou mesmo convidar o leitor a considerá-lo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Parasita



Parasita

Difícil falar sobre “Parasita”, filme sul-coreano que ganhou o Oscar 2020. A produção do diretor Bong Joon-ho, que também ganhou os Oscars de melhor roteiro original, melhor filme estrangeiro e melhor diretor, é muito detalhada. O filme conta a história de duas famílias de classes sociais distintas: a primeira família é composta pelos Kim, que vivem em um apartamento semissubterrâneo da cidade e na mais completa pobreza; a segunda família é composta pelos Park, ricos que vivem no mais pleno luxo. O filme trabalha com a analogia entre as famílias, como um jogo de espelhos existente entre elas. O primeiro jogo é que em ambas as famílias temos um pai, uma mãe, um filho e uma filha. O segundo jogo espelhado é que os Kim moram na parte baixa da cidade e os Park na parte alta da cidade. Isso já demonstra uma clara distinção entre classes socioeconômicas. Será nesse jogo de espelhos que irá se desenrolar todo o filme.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Necropolítica dos Drones



Necropolítica dos Drones



Vou falar sobre dois assuntos que dificilmente são discutidos juntos: Drones e Necropolítica. Primeiramente, vamos falar sobre o que são drones. Um drone é um veículo aéreo não tripulado controlado remotamente e que pode realizar inúmeras tarefas. As possibilidades dessas tarefas estão em aberto, pois ainda não foram todas esgotadas, no entanto, podemos incluir tirar fotos, fazer entregas, espionagem e uso bélico. É especificamente sobre este último que queremos nos centrar. Cada vez mais cresce o número de drones utilizados em operações militares, desde vasculhamento de área até ataque ao inimigo. Além do controle remoto dos drones, há drones já desenvolvidos com inteligência artificial e capazes de realizar tarefas sem um monitoramento integral. Com o avanço da tecnologia 5G, a tendência é que haja cada vez mais drones aprimorados com inteligência artificial a fazer um tipo de serviço específico, como abater alvos militares, sem que tenha uma contrapartida humana por trás disso.
Necropolítica é um conceito desenvolvido e consagrado por Achille Mbembe em um ensaio de 2003 intitulado Necropolítica. Neste ensaio, Mbembe explica de que maneira a política do Estado tem o poder de decisão sobre quem vive e quem morre. A necropolítica faz relação com o conceito de biopoder em Foucault, que trataria do controle do Estado sobre a vida dos cidadãos. O biopoder se caracteriza pela estatização da vida biologicamente considerada, ou seja, pelo controle do Estado nas várias instâncias da vida humana em sociedade. Para Mbembe, quando se nega a humanidade do outro, qualquer violência se torna possível, de agressões até morte. Dessa forma, a necropolítica é o modo pelo qual a soberania exerce controle sobre a mortalidade e define a vida como a implantação e manifestação de poder. E o que isso tem a ver com drones?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

A Impossível Genealogia do Coringa (III)



A Impossível Genealogia do Coringa (III)

Em nossa primeira parte sobre o Coringa, afirmamos que o filme se caracteriza por uma tentativa causal de construção do personagem. Na segunda parte, trabalhamos a construção do personagem e a possível dicotomia existente no filme. Em nossa terceira parte, iremos confrontar as duas partes anteriores na tentativa de oferecer uma interpretação mais ousada para o Coringa. Por isso, recomendamos a leitura dessas partes antes de prosseguir com a leitura.
   Iniciaremos nosso texto com uma citação do personagem no filme: "Durante toda a minha vida eu nem sabia se eu realmente existia. Mas eu existo. E as pessoas estão começando a perceber". O personagem do Coringa investiga aqui a sua própria existência, um dos motes da modernidade iniciada com a frase de Descartes: eu penso, logo existo (ego cogito, ergo sum). A certeza do próprio ato de pensar como sendo a garantia da própria existência. Ao colocar em xeque a sua existência, o Coringa questiona o processo pelo qual o mundo moderno se constitui a partir do sujeito pensante. Questiona o processo pelo qual o mundo é interpretado pelo pensar, colocando em dúvida a cadeia causal que comprova a sua existência a partir do próprio pensamento. O Coringa, dessa forma, foge à lógica causal genealógica quando percebe em si mesmo o reflexo caótico do mundo que o cerca.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Conflito Irã e EUA: algumas considerações relevantes



Conflito Irã e EUA: algumas considerações relevantes



O recente conflito entre os Estados Unidos e o Irã traz fortes repercussões para a geopolítica global. Sua gênese parte da revolução iraniana em 1979 com a mudança do governo local e uma ampla oposição aos EUA. Se pudéssemos resumir o conflito, poderíamos usar apenas uma palavra: petróleo. Mas, na verdade, a tensão entre os dois estados vai muito além dessa tão cobiçada commodity e envolve uma posição estratégica no Oriente Médio no gerenciamento político, econômico e militar da região.
Mas vamos aos fatos que nos levam a escrever essa coluna: o ano de 2020 praticamente teve início com um ataque americano por drone à comitiva iraniana no Iraque matando o general iraniano Qasem Soleimani em 03 de janeiro de 2020. Mas quem é o general Soleimani? Que motivo os EUA teriam para matá-lo? Qual a posição do Irã sobre isso? Será sobre essas questões que iremos tratar brevemente aqui.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

A (im)possível Genealogia do Coringa (II)


A (im)possível Genealogia do Coringa (II)


Nesta segunda parte sobre o filme do Coringa, vamos fazer uma análise sobre a construção do personagem. Para quem não viu a 1ª parte, pode lê-la aqui.
Arthur Fleck após passar por uma série de traumas, acaba por libertar outra faceta de si mesmo. Esse outro que surgiu foi batizado de “Coringa” (Joker em inglês). Esse é um ponto extremamente importante de ser analisado, pois o papel da nomeação aqui não é trivial, a renomeação do personagem representa a morte do antigo e o nascimento do novo. O Coringa agora é o verdadeiro ‘eu’ do personagem, que surge não por criação individual de Arthur Fleck, mas uma criação coletiva, já que o Coringa é fruto do próprio cotidiano violento, competitivo e egoísta da sociedade americana retratada no filme. Em uma sociedade que se mantém pelo egoísmo coletivo, o indivíduo não olha para o outro, mas somente está centrado em si e nos seus próprios negócios. O consumo é a regra e aqueles que não podem consumir estão socialmente mortos. É esse mundo que é refletido no filme do Coringa.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Lançamento do Livro "Leis da Natureza", do Prof. Dr. Rodrigo Cid

Convidamos a todos os filósofos, pesquisadores, professores e estudantes de Filosofia a baixarem e lerem gratuitamente o livro "Leis da Natureza: uma abordagem filosófica", do filósofo e doutor em Filosofia Prof. Rodrigo Cid, professor adjunto da Universidade Federal do Amapá. O livro reúne suas pesquisas de mestrado, de doutorado e de pós-doutorado em um texto integrado e introdutório sobre a metafísica das leis da natureza, com a proposta de uma teoria original.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Viva a Bolívia!




Viva a Bolívia!
  
A Bolívia passou por um recente processo eleitoral em outubro desse ano, elegendo Evo Morales para o seu quarto mandato. No entanto, o presidente foi levado a renunciar no dia 10 de novembro pelos militares, o que acabou levando-o a sair do país. O que aconteceu na Bolívia foi um golpe de Estado orquestrado por uma aliança da elite oligarca do país, as forças militares e a intervenção externa, mais especificamente EUA. E como isso aconteceu? Por quais motivos? Eis o que pretendemos falar brevemente aqui.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Manifesto pelo dia da Consciência Negra

  Manifesto pelo dia da Consciência Negra



O Tribunal de Justiça de Minas Gerais errou em sua decisão ao suspender no dia 14/11/19 um feriado que simboliza a luta que corre nas veias do nosso Brasil. Entre tantos feriados santos que temos, julgou-se eliminar aquele que representa o movimento social de luta e história negra no país. Isso é muito grave! Isso aconteceu depois que Sindicomércio entrou com uma ação para tentar retirar a data do calendário. O motivo alegado é que o setor tem prejuízos com o feriado. No entanto, a decisão judicial fere um direito e esmaga um dia de luta entre tantos outros que foram (e continuam sendo) necessários.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

A (Impossível) Genealogia do Coringa (I)


A (Impossível) Genealogia do Coringa (I)

Gostaríamos de iniciar aqui a nossa análise sobre o novo filme do Coringa. Para quem não conhece, o Coringa é o principal vilão do Batman publicado pela editora estadunidense DC Comics. Foi criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane e apareceu pela primeira vez em Batman #1 (Abril de 1940). O novo filme intitulado “Coringa” trata da controversa origem do vilão que nunca foi bem explicada nos quadrinhos. Iremos dividir nosso trabalho em partes com o intuito de esclarecer aos poucos a nossa interpretação. Nesta primeira parte, vamos apresentar uma breve leitura sobre o filme e sobre a modo como ele foi construído.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

América Latina em revolta


América Latina em revolta




“Por isso mesmo a conscientização é o olhar mais
crítico possível da realidade, que a ‘desvela’ para
conhecê-la e para conhecer os mitos que
enganam e que ajudam a manter a
realidade da estrutura dominante.”
(Paulo Freire)

A América Latina urge em fogo e revolta! Diversas manifestações recentes dos nossos ‘hermanos’ demonstram uma total insatisfação com medidas neoliberais em seus países. Eleições na Argentina, Uruguai e Bolívia, protestos no Chile, Equador e Venezuela são uma demonstração crescente de que há uma forte contraposição popular ao Estado liberal burguês. Sabemos que uma revolta não é a mesma coisa que uma revolução. Uma revolução depende de uma série de circunstâncias sociais, mas o momento é de uma enorme rebelião popular na América Latina e os protestos atuais, mesmo estando longe de transformarem radicalmente seus países, já indicam o início de uma mudança vindoura e libertadora do jugo implacável do capitalismo.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Brasil, Desigualdade e Concentração

O Brasil, a Desigualdade Social e a Concentração de Renda


Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgados em 16 de outubro de 2019 pelo IBGE, demonstram que no ano de 2018 houve um aumento da desigualdade no Brasil. O Índice de Gini do rendimento médio mensal real domiciliar per capita, que varia de zero (igualdade) até um (desigualdade máxima), foi estimado em 0,545 em 2018. Entre 2012 e 2015 houve uma tendência de redução (de 0,540 para 0,524), que foi revertida a partir de 2016, quando o índice aumentou para 0,537, chegando a 0,545 em 2018. Tais resultados não são uma boa notícia para o país que já passa por um forte desemprego (11,8% no trimestre encerrado em agosto de 2019) atingindo mais de 12 milhões de pessoas.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Sociedade de Controle


Sociedade de Controle




Continuando a falar sobre biopolítica, vamos adentrar neste post a questão da sociedade de controle. Para isso, vamos utilizar como base de discussão o Decreto nº 10.046 de 9 de outubro de 2019, que “Dispõe sobre a governança no compartilhamento de dados no âmbito da administração pública federal e institui o Cadastro Base do Cidadão e o Comitê Central de Governança de Dados”.

Pesquise artigos filosóficos na internet

Loading