quarta-feira, 17 de junho de 2020

Física Filosófica: Futuros (im)possíveis




FÍSICA FILOSÓFICA
Futuros (Im)possíveis
Quais futuros possíveis podem ser construídos? Quais as possibilidades que esperam por nós?

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Sobre o anel e o poder: Platão e o Senhor dos Anéis




Giges e o Senhor dos anéis

Deixe-me começar propondo a seguinte reflexão: por que falar de anel? O anel, dentre suas possíveis simbologias, abriga a ideia de perfeição, de um todo fechado em si mesmo e, por isso, sem qualquer falta ou imprecisão. O anel é a perfeição, ainda, porque perfeito vem do latim perfectus que quer dizer perfazer por completo, realizar algo em todas as direções e dimensões possíveis, circunscrever, delimitar. O anel fecha-se em si mesmo porque de nada mais precisa ou depende. Por isso, ele sugere, ainda, a ideia de eternidade, sem início ou fim, sem partes ou etapas, mas um todo cujo significado está no poder de ser pleno e completo. O anel é símbolo da perfeita satisfação.


Antifa



 Antifa


"Lutamos contra eles escrevendo cartas para que não tenhamos que enfrentá-los com os punhos. Lutamos com os punhos para que não tenhamos que enfrentá-los com facas. Lutamos com facas para que não precisemos enfrentá-los com armas. Lutamos com armas para que não tenhamos que enfrentá-los com tanques."
- "Murray" de Baltimore

Domingo, dia 07/06/2020, foram realizadas novas manifestações contra o governo do presidente Jair Messias Bolsonaro. Para entendermos melhor esses movimentos que estão começando no país, precisamos falar de Antifa, o movimento antifascista que tem ganhado repercussão no mundo inteiro. Em seu livro “Antifa: O manual antifascista” escrito originalmente em 2017, o historiador, especialista em direitos humanos, terrorismo e radicalismo político na Europa Moderna, Mark Bray conta a história do antifascismo desde os anos 1920 até o ressurgimento do movimento nos dias de hoje. Escrito originalmente em inglês, o livro foi traduzido para o português em 2019 e tem ganhado cada vez mais leitores e adeptos do movimento. Mas afinal, o que é Antifa?

Do Reflexo, Ou Como se Invertem Os Sentidos

por Rafael César Pitt

É impossível olhar para uma gueixa de expressão comedida e não imaginar um Japão do séc. XVII, no qual as casas de chá eram freqüentes locais para reuniões de barões feudais – os daimyos – ansiosos pela discussão política e pelo divertimento com as moças da casa. Embora sempre maquiadas, com belos ornamentos no cabelo e vestidas para festas, estas moças não provinham de famílias nobres ou ricas - pelo contrário - em sua maioria órfã, sem uma família que as abrigasse eram, com poucas alternativas, obrigadas à prostituição. Seu olhar triste, indiferente à própria imagem, não esconde sua apreensão. Uma de suas mãos desliza suavemente por seu dorso. Sua roupa, levemente deslocada, sugere uma intenção de nudez. O que podemos imaginar sobre a maneira como se olha no espelho? O quadro, sobretudo, mostra-nos o seu corpo. Seu corpo quer nos dizer algo. Ele quer se entender a partir de nós, mostrar-nos o que para ele é óbvio: o reflexo não mostra sua essência, o reflexo, não espelha o brilho de seu coração de gueixa. A languidez de seu corpo é a ausência de sentido do espelho – a gueixa – é um destino. Imaginemos que ela tenha acabado de saciar um senhor de terras. Este, com seu habitual orgulho, confessou-lhe segredos que o comprometem seriamente. A gueixa, em sua silenciosa função submissa, ouviu-o atentamente, e agora, diante do espelho, relembra o fato. Imaginemos também que esta gueixa nutre especial ódio por este lorde, e possui com esta informação meios para destruí-lo. O espelho, neste caso, torna-se seu destino: ou ela é fiel a si e age contra o lorde ou submete-se. O reflexo é claro – a gueixa de expressão comedida e olhar triste afaga seu dorso, onde um ódio contido queima-lhe a nuca lembrando-lhe sua submissão. Seu próximo passo, em resposta ao mudo espelho, será jogá-lo ao chão.


sábado, 6 de junho de 2020

Poema da Coruja

Búu?! Por que me dizes assim??

Búu?! Do que me acusas enfim??

Porque sou o símbolo da filosofia?
Haverá símbolo melhor para representá-la?
Ou não haverá?

Búu?! O que tenho que me faz tal?!
Búu?! Que coisa é essa de símbolo afinal?!

Haverá determinação mais essencial para esse final?
Eu que pouco sei de mim, saberei de filosofia afinal!

Autor: Rafael César Pitt

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Absurdos Quixotescos



Podcast Absurdos Quixotescos - Episódio 1: Albert Camus e a Peste

Absurdos Quixotescos é um podcast de filosofia que procura abordar diferentes temáticas sobre quase tudo que se possa pensar. O absurdo é nossa premissa fundamental diante do devir humano, afinal, a razão nem sempre dá conta da realidade. Somos quixotescos porque é preciso realizar coisas impossíveis, enfrentar gigantes sejam eles reais ou imaginários.
Para esse episódio inaugural, trazemos o absurdo em Albert Camus, dialogando com parte importante de sua obra. Nossa conversa se desenrola a partir de alguns tópicos como:  1. Um mundo contaminado: perspectivas gerais sobre a pandemia; 2. Indivíduo x Coletivo | Liberdade x Responsabilidade; 3. A peste e o Estado de exceção: políticas públicas e governo. 4. O mundo absurdo: a doença e a ausência de sentido para a vida.
Esperamos que nossas reflexões te ajudem a encontrar caminhos neste verdadeiro labirinto do Fauno. 
Dúvidas, sugestões, críticas? Mande-nos um e-mail: absurdoquixotesco@gmail.com

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Chamada Investigação Filosófica: Dossiê Mundos Possíveis


O periódico Investigação Filosófica convida os pesquisadores em Filosofia a contribuir com o nosso dossiê temático sobre os Mundos Possíveis, em seus aspectos metafísicos, epistêmicos e lógicos. Os mundos possíveis têm sido um mecanismo importante de reflexão modal em inúmeras áreas da Filosofia, e faz-se necessária a publicação de um número especial do periódico IF dedicado a esse tema. O prazo final para o envio dos manuscritos é o dia 31 de outubro de 2020 e, caso aprovados, serão publicados até o final de dezembro de 2020. Todos os textos são avaliados anonimamente por membros do corpo editorial ou por algum parecerista externo escolhido por tais membros. Pedimos atenção às normas para a publicação de artigos.

Submissão: https://periodicos.unifap.br/index.php/investigacaofilosofica

sábado, 18 de abril de 2020

Em busca da Pedra Filosofal


Em busca da Pedra Filosofal


         Por um momento, minha alma elevou-se acima
de seus temores degradantes e miseráveis para
contemplar as ideias divinas de liberdade e sacrifício de
que aqueles lugares eram os monumentos e recordações.
Por um instante, ousei romper meus grilhões
e olhar ao redor com um espírito livre e elevado,
mas o ferro corroera-me a pele, e eu afundei novamente,
trêmulo e desesperado no miserável eu.
(Mary Shelley. Frankenstein)

Para começar, trago alguns destaques de matérias de jornais online para a reflexão que pretendemos aqui:

“O nadador Cameron van der Burgh, por exemplo, relatou dias difíceis após a infecção pelo coronavírus. O sul-africano de 31 anos, com uma capacidade pulmonar que lhe rendeu medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012, disse estar com problemas para executar tarefas simples”. (Folha de SP, 24/03/2020)

“Um adolescente de 14 anos morreu neste domingo (29) em Ovar, Portugal, infectado pela Covid-19, causada pelo coronavírus. Atleta de um time de futsal da cidade, ele sofria de psoríase, uma doença de pele autoimune”. (G1, 29/03/2020)

“O jovem de 26 anos que morreu no sábado (28) em São Paulo com coronavírus era corredor e participava de maratonas. Maurício Suzuki colecionava medalhas e comemorava cada conquista. Segundo a irmã, Simone, o irmão cuidava da saúde e o rápido avanço da Covid-19 surpreendeu”. (Isto é, 30/03/2020)

O que essas notícias têm em comum?

quarta-feira, 15 de abril de 2020

O fundo do Poço



O fundo do Poço

Os agentes da Inquisição tinham
conhecimento de que eu descobrira o poço,
o poço cujos horrores haviam sido destinados
a um herege tão temerário quanto eu,
o poço, a imagem do inferno, considerado
como a Ultima Thule de todos os seus castigos.
(Edgar Allan Poe. O poço e o pêndulo)

O filme espanhol “O Poço” (2019) do diretor Galder Gaztelu-Urrutia foi um dos mais vistos na Netflix no último mês. Polêmico e como cenas pesadas, o filme é passível de algumas interpretações diferentes. Aqui vamos expor o nosso olhar sobre o filme. Em resumo, o filme consiste em retratar um lugar não identificado, uma espécie de prisão vertical, sem janelas ou portas, com diferentes andares e que possui um profundo buraco ao centro. Todos os níveis são numerados de maneira crescente de cima para baixo e possuem duas pessoas para cada andar. Pelo buraco desce, diariamente, uma plataforma com comida para alimentar as pessoas do lugar. A plataforma fica um tempo em cada nível e depois desce para os demais andares. Os prisioneiros do lugar são mudados aleatoriamente de andar depois de um certo tempo. Quanto mais abaixo, pior a condição dos prisioneiros, pois a comida vai ficando escassa. Ao contrário dos demais prisioneiros que estão ali por algum motivo em específico, o personagem principal, Goreng, escolheu ir para ali. Cada pessoa ali dentro tem o direito de levar algum objeto consigo. No caso, Goreng escolheu levar um livro: Dom Quixote de Miguel de Cervantes. Uma escolha inusitada e um tanto esquisita que alguém vá para uma prisão cruel por livre vontade para ler um romance.