quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Utopia

 


Utopia

Utopia é a junção de duas palavras gregas: = “ου” (não) + “τόπος” (lugar), formando “Ουτοπία”, que significa “não-lugar” ou, em uma concepção moderna, algo que muitas vezes pode ser tomado como ideal, fora do lugar e não alcançável. Em outras palavras, algo que só poderia ser atingido em um futuro não-temporal. A sua concepção vem da obra “Utopia” de Thomas More publicada em 1516, em que Utopia é uma ilha distante em as pessoas vivem uma vida comunitária entre elas. Essa obra pode ser considerada uma inspiração para outras obras de inspiração utópica. Entre os autores influenciados pelo utopismo socialista podemos citar Morelly, William Godwin, Saint-Simon, Robert Owen, Charles Fourrier e Etienne Cabet para citar alguns nomes, sendo esses também uma fonte de investigação e estudo para os chamados socialistas científicos representados, principalmente, por Karl Marx e Friedrich Engels.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Através do Espelho

 


O programa "Através do Espelho" apresenta o seu primeiro programa tratando sobre a pandemia, as eleições americanas e os rumos da democracia. Esse programa se propõe a falar de filosofia, política e cultura para além da reflexão.

Link para o programa: https://www.youtube.com/watch?v=PlEXmj9BJ3s&t=2986s&ab_channel=Atrav%C3%A9sdoEspelho

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Contos de Kolimá

 

Contos de Kolimá

Em Kolimá não há liberdade

(Varlam Chalámov) 

Os “Contos de Kolimá” do russo Varlam Chalámov (1907-1982) conta a sua real história nos campos soviéticos de prisioneiros na época do governo de Stálin, onde passou 17 anos preso. Nesse tempo, Chalámov percebeu a crueza da vida humana em todo o seu horror. Kolimá é uma região no extremo norte da Sibéria e conhecida por ter 10 meses de inverno durante o ano, chegando a temperaturas abaixo de 60 graus Célsius. Em Kolimá, segundo Chalámov, podia-se medir o frio pelo cuspe: caso ele congelasse no ar, significava que a temperatura já tinha atingido os 55 negativos. Foi nesse inferno gelado que Chalámov teve a sua pior experiência e que ele relata através de seus contos.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

 

Teoria geral da reunião de departamento,

 

seguida de três razões contrárias à paridade

 

Rogério P. Severo (Dept. Filosofia, UFRGS)

Professores universitários – e intelectuais em geral – seguidamente carecem daquilo que é o pão nosso de cada dia das pessoas menos afeitas a teorizações. Falo, é claro, do senso de realidade, aquele sentimento que nos leva a suspeitar de perfeições abstratas e elege como guia para a vida o bom senso e a experiência passada. Isso obviamante não é, por si só, um demérito. Afinal, não se espera de intelectuais que saibam manusear alicates, assim como não se espera de açougueiros que leiam Aristóteles. É natural que assim seja. Mas o que é natural vem sempre em graus. E o grau mínimo do senso de realidade em nosso amigo intectual são as reuniões de departamento. Em nenhum outro lugar a realidade é posta entre parênteses de modo tão hermeticamente eficaz. O que poderia impedi-lo? A criação científica e artística exige mesmo essa liberdade de imaginação. Mas o resultado disso é tanto o avanço das ciências e das artes quanto das fantasias. A reunião de departamento é o lugar natural da fantasia intelectualista. Lá, nada precisa ser testado, tudo pode ser decidido a priori, todas as opiniões, mesmo as falsas, podem ser livremente defendidas com argumentos sofisticados. A meta de uma reunião de departamento não é jamais a de tomar uma decisão, mas a de decidir sobre o que será decidido. Como tampouco haverá acordo sobre isso, passa-se à criação de comissões, que elaborarão relatórios inconclusivos que ninguém lerá, mas sobre os quais todos se pronunciarão longamente em ânimos exaltados, intercalados por manifestações de desânimo contagiante.

Vejamos um exemplo concreto. Na semana passada, o instituto onde trabalho reuniu-se para decidir sobre o modo de decisão sobre quem será o próximo diretor. Dado que provavelmente só haverá um candidato, alguém poderia perguntar se havia mesmo necessidade de decidir sobre o modo de decisão, dado que não haveria nada a ser decidido. Com um só candidato, qualquer método de decisão produz o mesmo resultado, não é? Por que não resolver esse assunto pragmaticamente? Esse, claro, seria o raciocínio do bom senso. Mas o intelectual não pensa assim. Ele considera que mais importante são os princípios. Queremos democracia e igualdade, dizem todos, em coro! Precisamos incluir os funcionários e estudantes, eles também contribuem! – platitudes grandiloquentes e tão substanciais quanto o “Queremos a paz mundial!” na boca beldades em concursos de miss.

Então segue o baile. Uma comissão é criada para longamente debater e decidir sobre os métodos mais adequados de decisão. Atendendo a pleitos de funcionários e estudantes, a comissão propõe uma consulta paritária à comunidade (um terço de votos, respectivamente, para professores, funcionários e estudantes). Isso é mais justo e igualitário!, diz a comissão. Mas, e a realidade?, perguntam alguns, desavisados. E as leis federais que proíbem consultas formais paritárias? Ora, responde a comissão, a Constituição nos garante autonomia! Antes que alguém consiga informar aos presentes que a Constituição também é uma lei federal, as portas da Disneylândia acadêmica se abrem e todos entram na fila do parque de diversões. Uns argumentam que o procedimento é informal, sem valor legal, mas se apressam a redigir um Edital público, tal como manda a lei. Outros argumentam que a lei precisa ser interpretada, sem perceberem que já foi, pelos procuradores da universidade. Outros, ainda, argumentam que a paridade será legal depois que o STF julgar o assunto – vamos nos antecipar!, vamos aplicar a lei futura, aquela que ainda não existe!, sugerem alguns. Por fim, e para acabar com todos os argumentos, alguém puxa da manga a cartada derradeira: nem toda lei é legítima! Evocam-se então casos históricos de leis ditatoriais, nazistas e racistas, a que ninguém precisa moralmente obedecer. E conclui-se que a paridade é legítima, mesmo que não seja legal.

O senso de realidade, a essas alturas já devidamente calado, retira-se da reunião. Afinal, como dizia o Barão de Itararé, donde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada. E a maioria então livremente decide que a decisão sobre como decidir quem será o próximo diretor será um processo justo, igualitário e democrático que viola as leis de nosso país, afirma a autonomia universitária garantida pelas leis de nosso país e permite que o candidato único ao cargo tenha a legitimidade a ele conferida pelo subgrupo que o elegeu, dentro da universidade.

Embora o tom adotado acima seja jocoso, o que descrevo é real. Debates desse tipo vêm acontecendo nas universidades públicas há décadas. Como a proposta de paridade eleitoral para a escolha de reitores e diretores universitários deriva de uma concepção distorcida tanto do que é uma universidade pública quanto do que é um estado democrático e de direito, concluo apresentando brevemente as três razões gerais pelas quais a rejeito.

1. A ideia de que professores, estudantes e funcionários contribuem em igual medida para os fins da universidade é fantasiosa. As metas das universidades públicas estão fixadas na Constituição: ensino, pesquisa e extensão. Quase todas as aulas, pesquisas e atividades de extensão são coordenadas por professores. Quase toda produção científica decorre do trabalho de professores. Então, o bom senso manda que recaia sobre eles uma responsabilidade maior no que diz respeito à gestão universitária. Apenas com base em princípios abstratos de igualdade, sem base na realidade, isso poderia ser negado. Dizer que estudantes, funcionários e professores estão em pé de igualdade democrática dentro da universidade é uma fantasia da Disneylândia acadêmica. Universidades não são sociedades políticas, instituídas por pares, em que a opinião de todos deve valer por igual nem são repúblicas soberanas que criam suas próprias leis e metas. O que mais importa na universidade é o avanço e a excelência do ensino, da pesquisa e da extensão, assuntos a respeito dos quais os professores têm mais experiência e mais conhecimento que estudantes e funcionários. A meta da universidade não é tampouco a de promover justiça social nem pode ser guiada por esse valor. Essa é uma tarefa para o Estado brasileiro como um todo e seus representantes democraticamente eleitos. A universidade só pode contribuir para esse fim indiretamente, elaborando teorias e análises verdadeiras e confiáveis da realidade, que possam ser usadas por agentes públicos de todas as posições e ideologias políticas. As universidades públicas estão a serviço da sociedade como um todo e não dos seus membros internos. Não cabe estes decidir sobre as metas da universidade nem conceder a si próprios um estatuto que não têm, do mesmo modo que não cabe ao Judiciário elaborar leis nem aos deputados governar. Estudantes e funcionários têm funções importantes e merecem ser ouvidos sempre, mas não cabe a eles a responsabilidade principal pela gestão universitária.

2. Temos uma lei federal (9394) que regula esse assunto desde 1996. Ela estabelece (art. 56, parágrafo único) que 70% dos votos em escolhas de dirigentes universitários cabem aos professores. As escolhas paritárias violam essa lei. Para evitar a ilegalidade explícita, algumas universidades vêm promovendo consultas informais, sem valor legal, que em seguida são referendadas pelos respectivos conselhos universitários. Essas consultas informais são geralmente organizadas por sindicatos de servidores e diretórios estudantis. São os equivalentes universitários do caixa dois contábil, artimanhas para fazer exatamente aquilo que a lei proíbe. O argumento é que a paridade seria mais democrática. Penso que não. A democracia, tal como a temos nas sociedades modernas, é um regime de leis. Não cabe aos indivíduos decidir que leis seguir. O respeito às regras do jogo é um princípio básico da democracia e do estado de direito. Os procedimentos de escolha paritária de reitores e diretores, no contexto da legislação atual, contradizem esse princípio democrático básico. O princípio constitucional da autonomia das universidades públicas não dá a elas poder para criar suas próprias leis. Universidades não são repúblicas soberanas. Ao contrário, são entidades públicas, criadas por leis e sujeitas a elas. A autonomia que têm só vale nos limites da lei.

3. Na prática, a paridade torna os processos de escolha de diretores e reitores uma disputa entre segmentos corporativos. Cada segmento escolhe o candidato que mais parece atender aos seus interesses. O resultado é que a pessoa eleita fica necessariamente comprometida com os interesses dos grupos corporativos que a elegeram. No entanto, seguidamente interesses corporativos não estão alinhados ao que é do interesse da universidade (ensino, pesquisa, extensão). O método de escolha paritária necessariamente coloca em segundo plano o ensino, a pesquisa e a extensão. Na UFSM, onde lecionei por sete anos, o reitor eleito em votação paritária em 2013 recebeu o voto majoritário de funcionários e estudantes, mas perdeu entre os professores. O motivo principal da sua vitória entre os funcionários foi a promessa de que não iria implantar o ponto eletrônico. Passada a eleição, o ministério público e a justiça exigiram a implantação. O reitor eleito então disse que o assunto estava fora de suas mãos e implantou o ponto eletrônico. Esse é o produto típico das votações paritárias. Não são as preocupações com o ensino, a pesquisa e a extensão que elegem os reitores, mas as reivindicações corporativas. Muitos outros exemplos desse mesmo tipo podem ser dados. Quem fica em primeiro plano são os representantes dos sindicatos e agremiações estudantis, que deixam de ser fiscais externos ao processo e transformam-se nos agentes principais – o que explica, aliás, por que esse tipo de proposta geralmente é defendida por entidades de classe.

Alguns professores, não contentes com a paridade, propõem ainda o voto universal. Nesse caso, não haveria distinção alguma entre os votos de professores, funcionários e estudantes. Essa proposta faz da universidade uma grande assembleia. Como o número de estudantes é vastamente maior que o de professores e funcionários, isso implica que na prática 10 ou 20% dos estudantes podem sozinhos decidir uma eleição, à revelia do que pensam seus professores. É uma inversão de valores, se não da própria universidade. Alguém seriamente acredita que algo assim pode funcionar? Há algum caso concreto no passado em que isso tenha sido implantado e funcionado, mesmo em escala reduzida? Penso que não apenas é uma proposta irrealista e ilegal, mas um convite ao populismo e ao proselitismo, exatamente o que não se quer numa instituição voltada para a busca da verdade. 

Ainda sobre esse assunto, recomendo esta excelente análise pelo prof. André Marenco, da UFRGS (ver aqui).


domingo, 11 de outubro de 2020

Ex Machina: Ser ou não ser consciente, eis a questão

 


*Estão abertas as inscrições para SNCT 2020 – IFTM Multicampi*
➡️ 08/10/20 a 11/10/20 inscrições para alunos e servidores. 
➡️ A partir de 12/10/2020 inscrições também para o público externo. 

As inscrições são necessárias para obtenção dos certificados de participação

Sobre o minicurso *Ex Machina: ser ou não ser consciente, eis questão*

"O meu cérebro é uma cicatriz. Quero ser uma máquina. Braços para agarrar, pernas para andar, nenhuma dor, nenhum pensamento" (Hamlet Máquina)
É possível conhecer os limites da inteligência? E da consciência? Pode o humano existir sem o desenvolvimento de tecnologias? Qual o limite entre o humano e a tecnologia? O que diferentes pesquisadores e pesquisadoras de diversas áreas (Antropolologia, Sociologia, Física, Filosofia e Biologia) têm a nos dizer sobre isso? De que forma podemos relacionar esses saberes?

Para realizar a inscrição: https://iftm.edu.br/eventos/snct2020/

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

The Machine Stops

 

The Machine Stops

No presente trabalho, pretendemos retomar a analogia com a máquina a partir da nova configuração do pensamento através das novas tecnologias. O distanciamento social pelo qual a maioria das pessoas enfrenta em algum nível devido à pandemia do vírus covid-19, fez com que a conexão do pensamento com o real se perdesse e se transportasse para o virtual. As redes sociais e novas tecnologias se tornaram o meio pelo qual o pensamento divaga, perdendo o seu contato com o ‘mundo lá fora’. Uma espécie de cogito virtual se constituiu e somente através dele passamos a ter contato com as outras pessoas. O pensamento se diluiu na internet e ganhou fluidez capaz de confundir a localização do sujeito pensante. O que chamamos aqui de cogito virtual não tem relação direta com a inteligência artificial, embora não a exclua. O cogito virtual é uma nova faceta do sujeito humano ao interagir a maior parte do seu tempo com a máquina virtual. O cogito virtual é, portanto, a fusão entre o sujeito pensante cartesiano e sua interação direta com a rede. Um novo solipsismo cartesiano se fez com isso, de modo que o cogito, isto é, o ato de pensar, se realiza apenas virtualmente, o que nos lembra do início do conto de Forster, The Machine Stops:

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Uma Ideologia de Centro

 Uma Ideologia de Centro

Rodrigo Reis Lastra Cid (Org.)

O objetivo deste livro é propor uma reflexão sobre o ideário de centro, se perguntando se ele seria possível e como. Preferi chamar de “Uma Ideologia de Centro” em vez de “Ideário”, pois o termo “Ideologia” é instigante para um título. Entretanto tenho a noção de que essa palavra é bastante carregada de significados teóricos. No modelo marxista, grosso modo, a ideologia é um conjunto de crenças, construído pela parcela dominante da sociedade, para naturalizar a dominação. Não é nesse sentido que utilizo o termo “ideologia”. Gostaria de um significado mais neutro para ele, tal como um conjunto de crenças, valores e/ou ações que respeita um conjunto de princípios. Nesse sentido, podemos pensar em uma ideologia para a direita política, para a esquerda política e para o centro político. Normalmente dividimos o espectro político de acordo com esses princípios; entretanto outras divisões são possíveis, ou ainda pode ser o caso que nenhuma divisão seja realmente objetiva. Como devemos, então, pensar essa divisão? Quais princípios subjazem as ações de diferentes atores políticos? Numa época de polarização política entre esquerda e direita, faz sentido refletirmos sobre posições mais moderadas? Qual conjunto de crenças, valores e ações poderia constituir moderação no cenário atual? Nosso livro tenta trazer uma reflexão sobre o ideário de centro, apresentando pensadores que refletem sobre a possibilidade de estabelecermos um centro, sobre a relação entre a ciência e o centro, sobre reformas centristas, entre outras coisas. Nossa intenção é que este livro promova uma reflexão inicial estimulante, e não a palavra final sobre as ideias apresentadas. Nesse sentido, este livro é ensaístico e tenta produzir algo original, ainda que incompleto. Nosso livro não têm uma unidade de visão; e acreditamos que isso é um mérito, pois não tenta estabelecer, em definitivo, se há e o que é o centro, mas nos leva a pensar sobre o conceito. A reflexão filosófica tem a característica de nos aprofundar nas questões investigadas. Podemos não chegar numa resposta final, mas nosso conhecimento sobre o problema e sobre as respostas para ele aprimoram nossa capacidade reflexiva. Pode-se acabar não concordando com nada do que aqui foi escrito. Maravilha! Se esse é o caso, o mais importante é saber por que não concordamos e construirmos nossa própria crítica argumentativa. Mas não paremos na crítica; construamos também uma teoria positiva, uma visão de mundo. É a partir do processo de criação, crítica, destruição e reconstrução, que tornamos mais fortes as nossas visões de mundo. Parafraseando a maior celebridade filosófica de todos os tempos, Sócrates: a vida só vale realmente a pena, se refletida.

Nº de pág.: 130

SBN: 978-65-87340-45-6

DOI: 10.22350/9786587340456

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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Prometeu Julgado

 

Prometeu Julgado

Para análise de hoje, gostaríamos de falar de um autor muito pouco conhecido no Brasil: Karel Čapek, pensador tcheco nascido em 1890 na Boêmia, que na época fazia parte do Império Austro-Húngaro. Čapek deve a sua fama, principalmente, à obra R.U.R. (Rossum Universal Robots), de 1920, peça futurista a qual pretendemos falar em um outro momento. Hoje iremos comentar um pequeno conto sobre o julgamento de Prometeu pelos deuses intitulado “O castigo de Prometeu” e incorporado à obra “Histórias Apócrifas”. Esse livro é uma coleta de contos de Čapek, que no Brasil foi traduzido por Aleksandar Jovanovic e publicado pela Editora 34.