sábado, 21 de abril de 2018

Digressões sobre a música: o contrabaixo


Há cerca de 20 anos atrás, quando eu ainda engatinhava no aprendizado de música, perguntei a um amigo já entendido nas digressões musicais "qual seria a função do contrabaixo na música?". A resposta que obtive não poderia ser menos inusitada: "para segurar a música e impedir que ela saia voando". Hoje, muitos anos passados, reflito sobre essa frase depois de assistir um show de Jazz em Uberaba...

De fato o contrabaixo é um belíssimo instrumento quando bem tocado. Ele dá firmeza à música e permita que ela flua sem se perder no espaço-tempo. É como se a sua cadência segurasse mesmo a música e mantivesse ela em seu lugar, na rota determinada, mas sem perder seu desenvolvimento e a sua possibilidade criativa. Os Pitagóricos tiveram uma grande importância para o avanço da música. Através do estudo da frequência das cordas e sua relação matemática na formação das escalas tal como as conhecemos hoje. A música não surgiu do nada, ela é algo e jamais poderia vir do que não é. A música é o resultado de uma combinação numérica que se produz em nossos ouvidos como uma belíssima organização sonora. Rousseau nos dizia que a arte do músico consiste em substituir a imagem insensível do objeto pelo dos movimentos que a sua presença excita no coração do contemplador.
Dito de outra maneira, a música é um exercício sensível de uma contemplação metafísica do ser. A arte que produz a música produz algo novo de algo ainda oculto. No caso do contrabaixo, simples quatro cordas são capazes de criar infinitas combinações de ritmo, melodia e cadência que envolvem todos aqueles que são capazes de apreciar a boa música. A metafísica do contrabaixo é manter a música e não deixar que ela se perca no ar.


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