terça-feira, 13 de março de 2012

Terá Weitz mostrado a impossibilidade de definir a arte?

Autora: Paula Akemi

O que é a arte? Qual é a natureza da arte? Ao longo da história muitos filósofos e críticos de arte tentaram criar teorias para resolver esse problema. Dentre eles estão Platão, Aristóteles, Bell, Croce, Collingwood e muitos outros. De acordo com Clive Bell (1914), por exemplo, uma obra de arte deve causar uma emoção estética. Essa emoção é causada por uma qualidade comum, essencial a toda obra de arte. Essa qualidade, afirma, é a forma significante, ou seja, é uma combinação particular de linhas e cores; certas relações entre os elementos da obra. Assim, algo é uma obra de arte se, e só se, possuir forma significante. Outra tentativa bastante conhecida é a do filósofo, R. G. Collingwood (1938). De acordo com ele, a verdadeira obra de arte tem de exprimir uma emoção do artista. Essa emoção é de uma natureza particular, que ao longo da criação vai se clarificando para o artista. Antes de começar a sua criação, o artista não sabe precisamente que emoção está sentindo, é uma emoção vaga e obscura. Somente quando termina a sua obra fica claro que emoção sentia. Essa emoção é expressa na sua obra. Assim, algo é uma obra de arte se, e só se, exprimir uma emoção. O importante aqui é notar que ambos, assim como muitos outros, tentaram dar uma definição real de arte. Ou seja, uma definição que indique condições necessárias e suficientes não triviais para que algo seja uma obra de arte. No caso de Bell, por exemplo, a condição necessária e suficiente para algo ser uma obra de arte é ter forma significante. Já no caso de Collingwood, a condição necessária e suficiente para que algo seja uma obra de arte é exprimir uma emoção particular do artista. Portanto, ambos procuraram e pensaram ter encontrado uma propriedade comum não trivial (forma significante, expressão de emoção) a todas as obras de arte. Contudo, como é comum em filosofia, sempre aparece um chato que diz “Eh pá, nada disso funciona! Estão todos errados!.” O chato em questão se chama Morris Weitz. Weitz defendeu que todas as tentativas passadas de definir a arte estavam erradas. Porquê? Justamente porque tentavam defini-la. Numa palavra, é impossível definir a arte. O meu objetivo neste artigo é defender que os argumentos de Weitz contra a possibilidade de uma definição real de arte não funcionam. O texto será dividido em duas partes. Na primeira, exponho dois argumentos de Weitz a favor da indefinibilidade da arte e explico alguns aspectos da sua tese. Na segunda, apresento os meus argumentos contra a tese de Weitz, sustentando que não foi bem-sucedido em mostrar que a arte é indefinível.


Citação: Akemi, Paula (2010). "Terá Weitz mostrado a impossibilidade de definir a arte?". Crítica. Artigo eletrônico encontrado em http://criticanarede.com/contraweitz.html.

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