quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A (ir)relevância internacional da produção filosófica brasileira


No seu blog, o professor Adonai Sant'Anna escreveu recentemente um texto ("O que é um Pesquisador do CNPq?") muito crítico sobre a produção filosófica brasileira dentro do cenário internacional da disciplina: comparando o Currículo Lattes dos pesquisadores 1A do CNPq em filosofia com o Web of Knowledge, ele conclui que os trabalhos dos filósofos brasileiros no topo do ranking do CNPq são irrelevantes para o desenvolvimento da filosofia em âmbito internacional, são trabalhos simplesmente ignorados pela comunidade filosófica internacional, principalmente pelo fato de serem publicados, na maioria dos casos, em periódicos nacionais e em português (língua pouco influente no plano acadêmico mundial). As questões que o professor coloca põem em xeque não apenas a significância da filosofia feita no Brasil, mas também os próprios critérios de promoção do CNPq.

O texto causou polêmica e a discussão seguiu em outro texto ("A Filosofia do Medo") do professor, agora analisando, segundo os mesmos critérios utilizados por ele, outros filósofos (isto é, estrangeiros e brasileiros não-1A). Entre as suas conclusões preliminares aparecem, por exemplo: (1) Se existe alguma expressividade internacional na produção filosófica brasileira, ela não está representada pela maioria dos pesquisadores do CNPq, pelo menos no nível mais alto, 1A; (2) A filosofia que parece ser praticada no Brasil é a filosofia do medo. Assim como existem alunos que são dominados pelo medo de participar de aulas, também existem professores/pesquisadores que têm medo de expor suas ideias perante o mundo. Este é o inconveniente perfil da filosofia no Brasil: ela é marcada por publicações predominantemente locais.

O professor Adonai Sant'Anna é o mesmo que teve um texto seu publicado na Scientific American Brasil (fevereiro, 2013) fazendo uma ampla e forte crítica à educação superior no Brasil. Confira aqui: "Universidades federais finalmente expostas na Scientific American Brasil".

Boas ou não, as considerações que o professor faz me parecem de grande importância para a discussão séria dos rumos da filosofia e da ciência no Brasil.

2 comentários:

Juan Pablo disse...

O Brasil tem Henrique C. de Lima Vaz, homem de uma erudição filosófica impressionante, falava 9 línguas, foi tradutor de obras de Hegel, Tomás de Aquino. Grande conhecedor de Platão, Aristóteles e Agostinho. Escreveu uma sistemática de Antropologia Filosófica, Ética Filosófica e Metafísica, além de centenas de artigos em periódicos nacionais e internacionais. Aqui em Belo Horizonte, na FAJE, já existe um grupo de pesquisadores estudando o seu pensamento, inclusive, com publicações de de teses de doutorado. Mas, infelizmente, poucos o conhecem e valorizam. Por que? Por ser brasileiro. Além do preconceito por ter sido um filósofo que reivindicou para si o fio hermenêutico da tradição cristã.

Doutrina Alvissarista disse...

Manifesto Alvissarista https://alvissarismo.wordpress.com/2015/10/12/manifesto-alvissarista/

A Proclamação da Independência da Filosofia Brasileira https://alvissarismo.wordpress.com/2015/10/17/a-proclamacao-da-independencia-da-filosofia-brasileira/

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