sexta-feira, 18 de maio de 2012

Palavras para Pensar


Pensar e dialogar de forma competente implica necessariamente conhecer um certo número de palavras e conceitos que nos permitem, ao mesmo tempo, pensar e comunicar os nossos pensamentos aos outros. A grande maioria das “palavras para pensar” desta lista foram propostas por Robert Ficher neste artigo e todas elas são ferramentas que devemos procurar que os nossos alunos dominem para os ajudar na tarefa de pensar e falar sobre os problemas que vão encontrando nas sessões de Filosofia com Crianças (e não só). 


É importante notar que estas “palavras para pensar” só serão de alguma utilidade para os nossos alunos se forem efectivamente utilizadas por eles em contexto de Diálogo Filosófico e não simplesmente memorizadas quanto aos seus significados (o seu significado é o uso, neste caso). Estas palavras devem ser vistas como “ferramentas conceptuais” que os alunos adquirem para pensar e dialogar e não como “objectos decorativos” para exibição num hipotético teste de conhecimentos ou concurso de cultura geral. Como tal estas palavras não devem ser dadas de antemão aos alunos para as aprender e decorar mas devem ser gradualmente incorporadas nos exercícios de Diálogo Filosófico ao longo dos anos e de forma a que os alunos interiorizem o seu uso à medida que vão necessitando desses conceitos para dialogarem entre si e compreenderem e serem compreendidos pelos seus amigos em diálogo. 

A divisão etária aqui proposta (da minha responsabilidade) é meramente indicativa e não é estanque pelo que cada professor pode (e deve) incluir ou excluir os conceitos que achar mais adequados aos seus alunos. 

Assim, três coisas devem estar presentes na mente do professor que quiser introduzir estas “palavras para pensar” durante os Diálogos Filosóficos que moderar com os seus alunos:

1 – Deverá planear as suas sessões e exercícios de forma a que os alunos sintam necessidade de utilizar estes conceitos de forma natural, em diálogo com os seus colegas e não decorando-os a partir de uma lista fornecida pelo professor.

2 – Não se preocupar em percorrer todas os “conceitos” da lista mas concentrar-se naqueles que achar mais importantes e adequados aos seus alunos, aos exercícios, à evolução que pretende para o grupo e aos temas abordados nas sessões de Diálogo Filosófico.

3 – Procurar, de forma periodica, percorrer com os seus alunos a lista de “palavras para pensar” por forma a perceber o seu grau de interiorização e ir adaptando os exercícios e vocabulário utilizado às faixas etárias que julgar adequadas.

Juntamente com estas lista de “palavras para pensar” sugiro também alguns exercícios de Diálogo Filosófico do meu projecto CAIXA DE PANDORA que poderão ajudar o professor a introduzir subtilmente estes conceitos na “caixa de ferramentas conceptual” dos seus alunos.  Alguns dos conceitos como “Concordar – Discordar”, “Saber – Acreditar” ou “Dar uma razão” e “Perguntar porquê?” são obviamente utilizados em todas situações de Diálogo entre os alunos pelo que não há necessidade de especificar alguns exercícios para a sua utilização.

"Palavras para Pensar" (5 – 7 anos)
Aceitar – Rejeitar
Bom - Mau (“Bem e Mal”)
Concordar – Discordar
Clarificar - Confundir
Comparar – Contrastar (“Bola – Balão”)
(Dar uma) Razão
(Perguntar) Porquê
Escolher – Escolherem por nós (“Caixa das Escolhas”)
Justo - Injusto
Mesmo – Outro (“O Barco de Teseu”; “O Rio de Heraclito”)
Saber - Acreditar
Ouvir – Falar
Possível - Impossível (“Caixa das Coisas Impossíveis”)
Mistério – Filosofia
Responder – Perguntar
Real – Irreal (“Caixa das Coisas Reais”, “Três bananas”)
Certo – Errado (“Bem e Mal”)
Regras
Semelhante – Diferente
Falar - Discutir
Pensar – Pensamentos – Ideias (“Três bananas”)
Pontos de Vista - Opiniões
Problema  - Solução
Pergunta - Resposta
Verdadeiro – Falso - Mentira

"Palavras para Pensar" (7 – 11 anos)
Abstracto – Concreto (“Símbolo para…”)
Absoluto – Relativo (“Bem e Mal”)
Análisar – Classificar
Argumentar - Persuadir
Argumento - Disputa
Analisar - Avaliar
Mente - Cérebro
Causa - Efeito
Classificar – Categorizar
Claro – Ambíguo
Criticar – Dizer mal
Imprecisão – Vagueza
Comparar Conceitos – Contrastar Conceitos
Decidir – Escolher (“O jogo das decidições”)
Explicar – Justificar
Exemplo – Contra-Exemplo (“Caixa da Vida”; “Caixa das Coisas Reais”)
Facto – Opinião
Fundamental – Acessório/Secundário (“Qual a pergunta mais fundamental?”)
Hipótese – Afirmação Factual (“O que isto pode ser?; “O Prisioneiro Voluntário”)
Idêntico - Contrário
Imaginar – Imaginação (“Três Bananas”)
Infinito – Finito – (“O que havia antes do Universo”)
Interpretação – Ponto de Vista
Justificado - Injustificado
Condição Necessária (“é preciso para”) – Cond. Suficiente (“não precisa mais nada para”) (“Bonito e Feio”; “Caixa da Vida”)
Objectivo – Subjectivo (“Bonito e Feio”)
Observar – Interpretar (“Bonito e Feio”)
Paráfrase – Sumário
Prova – Exemplo
Provar - Contestar
Refutar
Perguntas Abertas – Perguntas Fechadas
Pertinente - Impertinente
Relevante - Irrelevante
Regra – Excepção à Regra
Simplificação
Tempo – Eternidade (“O que havia antes do Universo?”; “Problemas com o Tempo”)
Critérios (“Bonito e Feio”; “Caixa da Vida”)
Dados – Informação
Dilema
Plausível - Implausível
Possíbilidade – Probabilidade – Certeza
Prever  - Avaliar
Equilibrado - Preconceituoso
Premissa (Razão) – Conclusão
Princípios – Bases das Crenças

"Palavras para Pensar" (11 – 14 anos)
Analogia – Metáfora
Pressuposto – Asserção
Autoridade – Plausibilidade
Coerente – Incoerente
Conteúdo - Contexto
Explícito – Implícito
Falácia
Implicações – Consequências
Inferir – Implicar – Ligar
Inferir – Deduzir
Livre – Não Livre (“O Prisioneiro Voluntário”)
Lógico – Ilógico
Significado – Definição
Racional – Irracional
Dar uma razão - Explicar
Razão – Crença – Intuição
Razões – Argumentos

Tomás Magalhães Carneiro - http://filosofiacritica.wordpress.com/

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