domingo, 22 de abril de 2012

O argumento ontológico e o problema da possibilidade da existência de Deus

Autor: Pedro Merlussi

Na publicação do Proslogium, Anselmo de Aosta (1033-1109) apresentou um dos mais importantes argumentos a favor da existência de Deus da história da filosofia: o argumento ontológico. Este argumento sustenta a existência de Deus recorrendo unicamente a premissas conhecíveis a priori.1Embora o argumento ontológico não seja propriamente um único argumento, mas, como escreve Rowe, "uma família de argumentos" (Rowe, p. 42), pois encontramos diferentes versões em filósofos como Descartes (1646-1716) e Leibniz (1646-1716),2 a versão de Anselmo é a mais importante. A sua importância resulta de levantar um número elevado de questões filosóficas fundamentais e de ter estimulado uma série de reflexões ao longo da história da filosofia. No entanto, não tenho a pretensão de expor todos os comentários e discussões referentes ao argumento de Anselmo. Tampouco me limito a considerações meramente histórico-filosóficas. O interesse do presente ensaio é mais específico: apresentarei o argumento a fim de discutir sua segunda premissa ("será Deus um ser possível?"). O objetivo é mostrar que o defensor do argumento ontológico está obrigado a admitir que Deus é um ser nomologicamente impossível (tais conceitos serão explicados ao longo do texto). E não só isto; pretendo sustentar também que não há boas razões para aceitar a segunda premissa do argumento. Se a crítica for correta, não podemos considerar o argumento de Anselmo uma prova sólida a favor da existência de Deus.


Citação: Merlussi, Pedro (2009). "O argumento ontológico e o problema da possibilidade da existência de Deus". Crítica. Artigo eletrônico acessado em xx/xx/xxxx e encontrado em http://criticanarede.com/argontologico.html.

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