sexta-feira, 28 de outubro de 2011

II Colóquio de Linguística e Filosofia: Perspectivas sobre Perspectivas

21 a 23 de novembro de 2011



http://linguisticaefilosofia.com

O ajuste de perspectivas é essencial nas trocas linguísticas. Falantes encontram na linguagem um aparato conceitual que fornece implicitamente, isto é, através de regras não explicitamente representados, as ferramentas para este ajuste. Pelo menos parte deste aparato ajuda a explicar também ajustes intra-pessoais de perspectivas, a dinâmica cognitiva, segundo a expressão de Kaplan. Existem traços comuns entre os mecanismos de ajustes de perspectivas inter-pessoais e intra-pessoais que explicam como se pode manter e expressar o mesmo pensamento em diferentes situações. As diferentes perspectivas que pessoas podem tomar sobre situações também aparece na atribuição de atitudes – a distinção entre atribuições de dicto e de re (pelo menos num sentido desta distinção) pode ser compreendida como o falante considerando ou não a perspectiva que o sujeito a quem a crença é atribuída tem ou não sobre a situação. Falantes expressam sua compreensão que diferentes pessoas podem ver a mesma situação de diferentes modos. 

No entanto, nem o ajuste mútuo de perspectivas, nem a dinâmica cognitiva intra-pessoal dependem do domínio das ferramentas linguísticas apropriadas. A aquisição mesma da linguagem depende de compreensão de diferentes perspectivas que pessoas tem sobre situações, como no caso de episódios de atenção conjunta. De maneira mais geral, ações conjuntas não são coordenadas unicamente pela linguagem e dependem do reconhecimento mútuo da perspectiva que cada agente tem sobre a situação. De maneira similar, não precisamos conhecer os mecanismos linguísticos para nossa própria dinâmica cognitiva. 

A expressão de diferentes perspectivas não se restringe a mecanismos intra-sentenciais. Operadores sentenciais também podem ser vistos como indicando perspectivas a partir das quais sentenças podem ser avaliadas. Pode-se também pensar que proposições elas mesmas recebem seus valores de verdade de acordo com as circunstâncias de avaliação – tais como as proposições temporais de Prior e, mais recentemente, as variadades de relativismo quanto à verdade em relação a predicados de gosto, avaliações epistêmicas ou futuros contingentes. Nesta abordagem, a verdade ela mesma se revela uma noção perspectiva. Nossa intenção é tratar de temas como a natureza de aspectos perspectivais sentenciais e sub-sentenciais da linguagem e a relação entre o aparato conceitual formal e nossa capacidade não linguística de ajuste de perspectiva. De um ponto de vista linguístico, queremos discutir como diferentes recursos linguisticos e gramaticais, como a saturação de argumentos verbais, a resolução da referência e a escolha da forma referencial, se relacionam com a integração discursiva e pragmática.

organização: Programa de Pós-Graduação em FIlosofia
Programa de Pós-Graduação em Linguística
participantes: Palestrantes convidados:
Petra Schumacher, Universidade de Mainz, Alemanha
Isidora Stojanovic, Institut Jean Nicod, França
programação completa no site do evento.

apoio: CNPq, CAPES, Fapemig
instituição: Universidade Federal de Minas Gerais
inscrições: 01 de outubro até data do evento
local: Auditório Baesse, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Campus UFMG, Av. Antonio Carlos, 6627

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