Ê, ôô, vida de gado.
Povo Marcado ê, Povo feliz!
- Zé Ramalho,
Admirável Gado Novo
Eu vejo o futuro repetir o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades,
O tempo não para.
- Cazuza, O tempo não para.
Domingo, 17 de abril de 2016. A câmara dos deputados vota com sucesso
pelo impeachment de Dilma Rousseff. O que antes parecia distante de acontecer,
agora se torna cada vez mais próximo e provável. O golpe venceu, o Brasil
perdeu. A decisão final fica por conta do senado. É com grande pesar que vemos
um cenário futuro sem melhora alguma e, possivelmente, catastrófico para o
país. Regressamos 52 anos na história de nosso país. Voltamos para 1964, ano do
golpe militar! Mas agora não precisamos mais de militares para aplicarmos um
golpe em um governante legitimamente eleito; evoluímos. Agora podemos destituir
a democracia sem precisar de um único tiro. Eis o progresso...
Para quem assistiu a sessão em uma das grandes emissoras do país, como
Globo ou Record, pôde perceber que apenas um lado aparecia na televisão: o lado
dos patos patéticos. Todos vestidos de verde e amarelo segurando um pato
ridículo “criado”
[2]
pela Fiesp. No entanto, esse não era o único lado existente, o Congresso (e o
Brasil) estava dividido por um muro: de um lado os pró-impeachment, do outro os
contra o impeachment. Estes, porém, não foram vistos na televisão. Durante toda
a cobertura da votação, apenas o lado dos favoráveis ao impeachment era
mostrado, como se todos unanimemente no país estivessem de acordo com isso. O
que não é verdade!
O objetivo de nosso artigo é responder três questões:
(i) Por que o impeachment de Dilma Rousseff é um golpe?
(ii) Por que quem concorda com o impeachment ou é ingênuo ou é mau-caráter?
(iii) Por que o impeachment não resolve o problema do país?
Dito isso, sigamos com a análise dos fatos.