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Ensaio sobre o Sonho
Durmo com a mesma razão com
que acordo
E é no intervalo que existo.
- Alberto
Caeiro, Poemas Inconjuntos
Se o sonho é real, o que é o real dos sonhos?
Incertezas, dúvidas... a existência é penosa para aqueles que sabem que
existem e, para estes, não há alívio em viver. As pessoas depositam umas nas
outras suas aspirações e vontades lhes dizendo: “você deve... você precisa...”;
e o que poderia ser leve e prazeroso, se torna difícil e penoso.
O sonho é um real escape do real. Mas o que o sonho tem de menos real do
que o real? Pensemos com certa atenção sobre o passado. O que este tem de real,
se o que o mantém é a memória? Seja a memória individual ou coletiva, o passado
nada mais é do que memória. Se o passado for esquecido, ele ainda pode ser
considerado como existente, ele pode ser considerado real? Teria o passado
existência própria? Por outro lado, não é o sonho também memória? Podemos
afirmar que sonhamos se não nos lembramos dele?








